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SP pede kit intubação em 24 h ao governo para evitar colapso

De acordo Secretaria de Saúde, os medicamentos utilizados por pacientes graves são suficientes apenas por "alguns dias"

14 abr 2021 10h57
| atualizado às 11h12
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O governo de São Paulo afirma ter enviado nove ofícios, o último deles na terça-feira, 13, ao Ministério da Saúde solicitando medicamentos do kit Intubação para pacientes graves de covid-19. O objetivo é repor estoques e evitar o desabastecimento de remédios essenciais para o tratamento da doença. Para evitar o colapso no atendimento, o prazo solicitado é de 24 horas. De acordo com o secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, responsável pelas solicitações, os medicamentos são suficientes apenas por "alguns dias".

"Em 40 dias, a Secretaria do Estado da Saúde mandou o quantitativo de nove ofícios para o Ministério da Saúde. Ontem foi o último ofício que nós mandamos porque nós precisamos do apoio do Governo Federal para a produção centralizada dos kits intubação", afirmou o secretário Jean Gorinchteyn em entrevista coletiva nesta terça-feira.

Em função da gravidade da situação, o secretário estabelece o prazo de 24 horas para a liberação dos medicamentos. A lista inclui quatro bloqueadores neuromusculares, três fármacos para sedação contínua e de um fármaco para analgesia. "Em face desse cenário, é imprescindível o envio de medicamentos para o Estado de São Paulo em até 24 horas, minimamente para suprir o abastecimento de 643 hospitais para os próximos dias", diz trecho do documento enviado ao governo federal.

O Estadão apurou que a preocupação com a falta dos medicamentos essenciais é compartilhada pela Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo (Fehosp).

Desde março, o Ministério da Saúde faz requisições administrativas que obrigam as fábricas a destinar o excedente de sua produção para o órgão, que faz a redistribuição das drogas para os estados, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). Questionando sobre as responsabilidades das esferas federal e estadual, o governador João Doria (PSDB) classificou a medida do Ministério da Saúde como "confisco".

"Não podemos aceitar a informação de que um joga para o outro. Quem fez o confisco, quem fez o sequestro de todos os fabricantes do Brasil foi o Ministério da Saúde. Então continuam os fabricantes sequestrados. Eles não podem vender nem para municípios nem para governos estaduais nem para instituições privadas. Ora, se houve esse sequestro, houve o confisco, cabe ao Ministério da Saúde, sim, a responsabilidade de distribuir insumos para todos os estados brasileiros e os municípios também. Não há embate, há irresponsabilidade do Ministério da Saúde", criticou.

A secretaria de Saúde informa que as medicações são suficientes para "alguns dias" e que vem buscando alternativas. "Nós temos medicações na rede estadual de São Paulo que confortam para alguns dias, mas nós precisamos apoiar também os municípios. Criamos, através de chancelas junto à Associação Brasileira de Anestesiologia e a Associação de Medicina Intensiva Brasileira, alternativas para essas medicações. Não existe determinado produto, pode ser utilizado outro com a mesma eficácia e o mesmo fundamento clínico", afirmou o secretário.

Questionado, o Ministério da Saúde ainda não se posicionou sobre o fornecimento dos kits de intubação.

Movimentação de profissionais da saúde na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Campanha Ame Barradas, montado em Heliópolis
Movimentação de profissionais da saúde na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Campanha Ame Barradas, montado em Heliópolis
Foto: Mister Shadow/ASI / Estadão Conteúdo

 

Estadão
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