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Quanto tempo amamentar? Bebê deve dormir na cama dos pais? Entidade traz novas diretrizes

Diretrizes indicam que o recém-nascido deve dormir no mesmo quarto dos pais, mas em cama separada, até o seis meses, e deve ser amamentado até, no mínimo, 1 ano de vida

1 jul 2022 - 11h32
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Cuidados com os bebês, sejam para os pais de primeira viagem e mesmo para aqueles que já têm alguma experiência, sempre deixam as famílias cheias de dúvidas. Recomendações publicadas neste mês pela Academia Americana de Pediatria apresentam um caminho para o que médicos definem como sono seguro, além de orientações sobre o aleitamento materno.

Conforme as diretrizes publicadas pela entidade, até completar 6 meses o recém-nascido deve dormir no mesmo quarto dos pais, mas em cama separada, com uma superfície plana. A medida, segundo a associação, reduz em 50% o risco de mortes acidentais. A cama deve ter inclinação menor do que 10 graus. Sobre a alimentação nos primeiros anos de vida da criança, o documento reforça a importância do aleitamento materno, sobretudo nos primeiros meses.

Aponta-se a necessidade de amamentação com leite humano até que o bebê tenha, no mínimo, 1 ano de vida. Nos primeiros seis meses, a não ser em casos excepcionais, a alimentação deve ser exclusivamente com leite materno.

Para Moises Chencinski, membro do Departamento Científico de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), o aleitamento materno ajuda muito no sono noturno por causa da quantidade de melatonina que o alimento contém. A melatonina é um hormônio produzido pela glândula pineal, que fica no nosso cérebro e ajuda a promover o início do sono.

"O pico da produção de melatonina acontece à noite e, quando o bebê acorda para mamar, esse fato favorece o seu sono logo a seguir", explica o médico. Ele também explica que o guia do aleitamento materno da academia acabou de alterar a recomendação do tempo de amamentação dos anteriores "um ano ou mais" para "até dois anos ou mais".

O aleitamento, afirmam especialistas, também previne que o bebê tenha diarreia, alergias e até casos de morte durante o sono. E, segundo Chencinski, o leite materno também ajuda a proteger o bebê até contra a covid-19.

Onde dormir?

Bebês devem dormir em uma superfície plana, firme e livre de brinquedos e cobertores. Carrinhos de bebê ou cadeiras adaptadas em carros não devem ser usadas para o sono rotineiro. Aquele cochilo com o seu bebê no sofá da sala também não é aconselhável. Dormir em qualquer superfície macia, como sofás ou colchões d'água, aumenta substancialmente o risco de lesão não intencional.

Neste caso, o órgão americano faz um alerta. "Evidências sugerem que é relativamente menos perigoso (mas ainda não recomendado) adormecer com a criança na cama de adulto do que em um sofá ou poltrona, caso os pais adormeçam." A academia americana também não recomenda a compra de monitores cardíacos, afirmando que eles "não são suficientes" para garantir um sono tranquilo.

Gustavo Sampaio, presidente do Departamento Científico do Sono da SBP, endossa o veto à aquisição. "Esses monitores apitam a cada modificação do oxigênio no sangue e é comum que ele varie durante a noite. É a velha história do Pedro e o lobo: ele toca tanto que a hora que for importante ninguém vai acreditar."

Ambos os especialistas também reforçam a importância do pré-natal, Sampaio explica que é neste momento que a mãe será mais orientada sob medidas de proteção à criança, além de questões relacionadas à imunização, como vacinas. No Brasil, todo esse tratamento é oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de graça, e também pelos planos de saúde.

Como proteger do frio?

Conforme o guia americano, aquecer o bebê com camadas de roupas também é preferível a usar cobertores, por reduzirem o risco de sufocamento. Cobertores vestíveis podem ser usados.

Amamentação no Brasil

O Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil , encomendado pelo Ministério da Saúde e divulgado no ano passado pela UFRJ, mostra que metade das crianças brasileiras é amamentada por mais de 1 ano e 4 meses. E uma em cada cinco mães amamentou o filho de outra pessoa ou deixou seu filho ser amamentado por outra mulher. Houve aumento de mais de 12 vezes da prevalência de amamentação exclusiva entre crianças menores de 4 meses, em relação a 1986.

Estadão
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