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Ministro diz que prorrogação do auxílio "está na mesa"

João Roma disse que nenhuma decisão foi tomada, mas que é preciso um 'esforço do Estado brasileiro' para proteger os beneficiários do auxílio que ficariam de fora do Bolsa Família

28 set 2021 08h00
| atualizado às 08h14
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A um mês do fim do auxílio emergencial, o governo Jair Bolsonaro passou a discutir a possibilidade de prorrogar o benefício, pago a vulneráveis devido à pandemia de covid-19. Ao Estadão, o ministro da Cidadania, João Roma, afirma que o tema "está na mesa", embora nenhuma decisão tenha sido tomada. "É preciso que haja um esforço do Estado brasileiro para proteger 25 milhões de cidadãos", diz, em referência ao público que hoje recebe o auxílio emergencial, mas ficaria fora da nova política sucessora do Bolsa Família.

O ministro da Cidadania, João Roma. 
O ministro da Cidadania, João Roma.
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil - 25/2/2021 / Estadão

Recriado em abril, o auxílio emergencial de 2021 paga de R$ 150 a R$ 375 mensais para cerca de 39 milhões de famílias elegíveis, enquanto o novo Auxílio Brasil deve alcançar 16,5 milhões. Segundo Roma, embora os casos de covid-19 e mortes pela doença tenham diminuído, na esteira da vacinação, os impactos da crise permanecem. "A pandemia acabou, mas seus efeitos sociais não", diz.

Segundo apurou o Estadão, a prorrogação do auxílio emergencial também tem sido defendida por aliados do governo no Congresso. Para essa ala, a medida pode ser adotada mesmo que se resolva o impasse em torno dos precatórios, dívidas judiciais que saltaram a R$ 89,1 bilhões em 2022 e ocuparam o espaço fiscal antes reservado à ampliação do Bolsa Família. O governo apresentou uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para parcelar os débitos, mas o texto está sendo alvo de negociação com parlamentares e ainda não foi votado.

Entre aliados do governo no Congresso, a avaliação é que as duas medidas (PEC dos precatórios/Auxílio Brasil e prorrogação do auxílio emergencial) não estão vinculadas e são independentes.

Apesar disso, cada dia sem avanços na solução para as dívidas judiciais é contabilizado no Palácio do Planalto como um impulso a mais à ideia de prorrogar o auxílio emergencial. Sobretudo porque, sem resolver os precatórios, o tíquete-médio do novo benefício ficaria em R$ 194,45, um aumento de apenas R$ 8,51, como revelou o Estadão. O valor é considerado inviável sob o ponto de vista político e também social. O presidente Jair Bolsonaro tem prometido pelo menos R$ 300.

Apesar da defesa explícita de ministros do governo, a prorrogação do benefício a vulneráveis enfrenta resistências no Ministério da Economia. A equipe de Paulo Guedes não vê respaldo legal e técnico para uma nova rodada do benefício, justamente porque o número de casos e mortes está caindo em decorrência da vacinação. Para os técnicos, não há como, no cenário atual, justificar a abertura de um novo crédito extraordinário para permitir gastos adicionais fora de amarras fiscais como o teto de gastos, que limita o avanço das despesas à inflação.

Já uma fonte da cúpula do Legislativo afirma que a curva de casos e mortes está caindo, "mas não a do desemprego, a da fome e a da inflação". O País tem hoje 14,4 milhões de desempregados, e a inflação cruzou a fronteira dos dois dígitos no acumulado em 12 meses até metade de setembro (alta de 10,05%).

Defensores da prorrogação também argumentam que outros países estão estendendo seus programas emergenciais até abril de 2022. Na avaliação dessa ala, ainda que a equipe econômica celebre a "recuperação em V", a situação não é de normalidade. Daí a necessidade de "dar uma resposta palatável" à crise social, sem que isso signifique irresponsabilidade fiscal.

Há uma preocupação sobre como esses 25 milhões de brasileiros terão sustento em condições em que o emprego ainda não voltou plenamente, e a fome voltou a bater à porta de milhares.

Estadão
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