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Apesar de 'abandono', Bolsonaro defende André Mendonça

Mesmo diante de dificuldades para emplacar sua indicação ao STF, presidente disse que maioria do Parlamento 'dança mesma música' do governo

28 set 2021 00h03
| atualizado às 07h15
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Foto de arquivo de 23 de abril de 2020 do advogado-geral da União, André Mendonça, ao lado de Bolsonaro
Foto de arquivo de 23 de abril de 2020 do advogado-geral da União, André Mendonça, ao lado de Bolsonaro
Foto: Dida Sampaio / Estadão Conteúdo

O presidente Jair Bolsonaro defendeu a indicação de André Mendonça ao Supremo Tribunal Federal (STF), negou que esteja trabalhando contra o ex-ministro da Justiça e disse acreditar na aprovação do nome à Corte pelo Senado. Por outro lado, já trabalha com a hipótese de não ver sua indicação aceita e afirmou que, caso Mendonça seja rejeitado, indicará outro evangélico.

O Planalto não tem articulado formas de pressionar o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), a pautar a sabatina de Mendonça no colegiado, o que tem levado o mundo político a falar em abandono do ex-ministro pelo governo.

"Espalham boatos de que eu estaria trabalhando contra o André, não tem cabimento", disse Bolsonaro em entrevista à Jovem Pan. "André Mendonça tem resistência por parte de alguns, mas acredito que passe. [...] André sabe a Bíblia toda e conhece a legislação muito bem", acrescentou. Ao indicar Mendonça, Bolsonaro cumpriu promessa de indicar alguém "terrivelmente evangélico" para a Suprema Corte. "No compromisso que fiz junto aos evangélicos, eu indico outro evangélico. Mas acho que vai dar certo o André", declarou o chefe do Executivo sobre a possibilidade de ter a indicação rejeitada.

Em seguida, Bolsonaro discorreu sobre o perfil que deseja para um magistrado: "o que eu quero de um ministro do Supremo? A pauta de costumes, a questão da economia, o marco temporal", afirmou, na entrevista. O presidente, porém, não quis comentar sobre a resistência de Alcolumbre para pautar a sabatina de André Mendonça. "Não quero entrar em boatos. Todo mundo quer poder", limitou-se a dizer.

De acordo com o chefe do Executivo, ele não recebeu pressões para indicar o ex-ministro ao STF, mas afirmou que é preciso ter nomes que passem no Senado, a Casa responsável por aprovar indicações à instância máxima do Judiciário. "(É preciso) alguém que tome Tubaína comigo e passe lá por aquele gargalo que é o Senado", declarou. Também por isso, disse Bolsonaro na entrevista, ele indicou o ministro Kassio Nunes Marques, já em atuação no Supremo. "Era o nome que passaria com tranquilidade lá", acrescentou. O presidente também disse manter encontros regulares com Nunes Marques. "Uma vez por mês. Às vezes, duas".

Apesar das dificuldades para emplacar Mendonça, Bolsonaro disse que, hoje em dia, a maioria do Parlamento "dança a mesma música" que o governo. Ele ainda voltou a dizer que o presidente que assumir em 2023 indicará dois ministros para o STF. "Devagar, vai mudando", declarou. Em 2023, aposentam-se da corte os ministros Ricardo Lewandowski e Rosa Weber.

Estadão
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