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Número de internações e óbitos por influenza e VSR avançam no Brasil, aponta Fiocruz

Alta circulação desses vírus tem causado quadros de síndrome respiratória aguda grave (SRAG), especialmente entre crianças de até 2 anos

3 mai 2024 - 11h54
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Na última quinta-feira, 2, o boletim Infogripe da Fiocruz revelou um aumento significativo no número de casos e óbitos em decorrência de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) em todo o Brasil. De acordo com a instituição, o cenário atual é uma consequência do aumento na circulação de influenza (o vírus da gripe) e, especialmente, do vírus sincicial respiratório (VSR), ambos capazes de causar complicações graves nos pulmões.

O levantamento, realizado com base nos dados da semana epidemiológica 17, compreendendo o período de 21 a 27 de abril, destaca que a intensificação da circulação do VSR tem impulsionado um aumento expressivo na incidência e mortalidade de SRAG em crianças de até 2 anos de idade, superando os números associados à covid-19 nessa faixa etária. Apesar disso, o coronavírus continua sendo uma das principais causas de infecção em crianças pequenas, juntamente com o rinovírus.

Ainda segundo o boletim, embora a covid-19 pareça apresentar uma queda ou estabilidade em níveis baixos, ela também é a principal causa de mortalidade por SRAG entre os idosos, que representam a maior parte dos óbitos por síndrome respiratória grave, caracterizada pela inflamação e acúmulo de líquido no pulmão.

Nas últimas quatro semanas epidemiológicas, 58% dos casos de síndrome respiratória grave foram atribuídos ao VSR, enquanto 24,3%, 7,9% e 0,4% estavam associados ao influenza A, à covid-19 e ao influenza B, respectivamente.

Quanto aos óbitos, 46,4% foram relacionados à covid-19, 38% ao influenza A, 11,6% ao vírus sincicial respiratório e 1,1% ao influenza B, o que evidencia que, apesar de o VSR ter contribuído com o avanço no número de casos e óbitos, o coronavírus segue sendo um dos principais vírus associados à mortalidade, apesar da aparente queda ou estabilidade.

De acordo com a Fiocruz, 22 unidades federativas apresentam crescimento de casos de SRAG na tendência de longo prazo: Alagoas, Amazonas, Amapá, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocantins.

O VSR

O vírus sincicial respiratório (VSR) é o principal causador de infecções respiratórias agudas em crianças com até 2 anos. Ele é responsável pela maioria dos casos de bronquiolite (75%) e quase metade das pneumonias (40%) nessa faixa etária, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Trata-se de um vírus bastante frequente em crianças pequenas. Estima-se que, de cada dez crianças, de quatro a seis são infectadas pelo VSR no primeiro ano de vida, e quase 100% até os 2 anos.

Outra característica do VSR é a sazonalidade: ele circula principalmente no outono e no inverno, em especial nos meses de maio e abril. Nos últimos anos, contudo, esse ciclo foi atípico. Durante a pandemia, por causa do isolamento social, ele circulou menos. Mas, agora, parece ter retomado o ritmo, o que ajuda a explicar o aumento de infecções.

Estadão
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