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Internações em SP diminuem, mas quadro ainda é grave

Índice de ocupação de UTIs está abaixo de 80% no Estado; entidade que representa centros médicos particulares diz que situação "não é confortável"

6 mai 2021 07h34
| atualizado às 08h34
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A taxa de ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Estado de São Paulo está com índice abaixo de 80%, mantendo tendência de queda desde o fim da fase emergencial e retorno da fase vermelha, em 9 de abril, movimento também observado nos hospitais privados. Nesta quarta-feira, 5, o Estado apresentou dados que apontaram estagnação desta curva de redução de internados pela covid-19 e alta de 2,5% nos casos na semana passada, em relação à anterior. Isso preocupa especialistas, que veem risco de uma terceira onda e surgimento de novas variantes.

Paciente com Covid é tratado em hospital
 14/4/2021   REUTERS/Kacper Pempel
Paciente com Covid é tratado em hospital 14/4/2021 REUTERS/Kacper Pempel
Foto: Reuters

Hoje, o Estado está na fase de transição do Plano São Paulo, programa estadual de combate á covid, que permite horário estendido para o funcionamento de comércio e serviços. No mês passado, quando a flexibilização teve início, a taxa estava em 88,3%. Nesta quarta-feira, o índice chegou a 78,3%. A queda na taxa foi um dos motivos apresentados pela gestão estadual para iniciar a flexibilização de atividades que pararam de funcionar durante as etapas mais rígidas do plano.

Médico sanitarista e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Walter Cintra Ferreira diz que o quadro da pandemia ainda é grave, pois, embora haja estabilidade, ela ocorreu em patamar alto. "O aumento de casos é muito preocupante. Significa que também vai ter aumento de casos graves e a necessidade de internação em UTI. Contra a covid, a gente faz uma corrida contra o vírus e só vence reduzindo ao máximo a circulação dele, e aumentando a população vacinada. Com esse número alto de casos novos, é temerário adotar medidas de relaxamento. Não é surpresa que vai aumentar."

Especialistas e autoridades já se preocupam com efeitos na pandemia causados pelo Dia das Mães, segunda data de maior movimento no comércio e que envolve reuniões familiares. "Não é recomendado receber ou fazer visitas neste momento, porque as pessoas podem não saber que estão contaminadas ou serem assintomáticas", disse ao Estadão semana passada Elaine D'Amico, responsável pela fiscalização do Plano São Paulo.

O ritmo lento de vacinação da população é outro agravante. "A vacinação está demorando. O governo federal deveria ter tomado as medidas necessárias no tempo certo.Nosso problema não é dificuldade operacional para vacinar, é falta de vacina. É muito provável que, se essa tendência continuar, teremos novamente lotação nos hospitais e sabemos que, quando está acima de 90%, significa que tem gente esperando leitos de UTI."

Para Leonardo Bastos, pesquisador na Fiocruz e membro do Observatório Covid-19 BR, as internações apresentaram queda, mas a taxa de ocupação de UTIs mostra a gravidade da covid-19 em relação a outras infecções respiratórias. "A gente monitora, desde 2014, casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), que mostram como está a circulação de vírus respiratórios, como o H1N1, vírus sincicial respiratório, baseado no histórico com dados desde 2009. Até 2019, tínhamos o limiar de 0,9 internações para cada 100 mil habitantes por semana, se passasse desse patamar, já era considerado muito alto. Chegou a covid e isso foi para as alturas. Está em 10 hospitalizações por 100 mil habitantes por semana. Dez vezes mais do que o limiar que a gente via antes."

HCor tem lotação de 79% em vagas covid; taxa geral no Sírio é de 83%

Na rede privada, segundo Francisco Balestrin, médico e presidente do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (SindHosp), as unidades relatam queda nas solicitações por internação por covid. "Não houve queda no número de internações, mas uma diminuição de pressão para internação. Na penúltima pesquisa que divulgamos, 100% dos hospitais estavam tendo pressão para internação de pacientes com covid. Na pesquisa passada, passou para 65%. Agora, está em 17%", afirma.

"Antes, tinha fila muito grande de pessoas que precisavam ser internadas. Desta vez, diminuiu. A sensação de sufoco melhorou", continua Balestrin. A pesquisa, realizada com 98 hospitais, apontou que 79% das unidades estão com ocupação de UTI acima de 80%, mas o quadro é melhor do que o registrado no início do mês passado.

No HCor, a taxa de ocupação de leitos covid está em 79% e a ocupação geral é de 88%. No Hospital Sírio-Libanês, a ocupação geral, que inclui pacientes sem o novo coronavírus, está em 83%. Em seu boletim, o Hospital Nipo-Brasileiro informou que a ocupação de UTI covid é de 90%. Já a UTI não covid está com 92% de ocupação.

"No Hospital Santa Paula, a taxa de ocupação de leitos para pacientes covid caiu de 95% para 85%. Em contrapartida, a taxa de ocupação de leitos para pacientes não covid-19 aumentou de 80% para 90%." Os dados são em relação a abril.

Também foi registrada queda na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo. "A taxa de ocupação dos leitos destinados ao tratamento de covid-19, em 4 de maio de 2021, é de 47% nas enfermarias e de 66% nas UTIs, percentuais que apresentaram queda, desde o começo de abril deste ano, de cerca de 50% nas enfermarias e 20% nas UTIs."

Apesar da redução, Balestrin diz que a situação está longe de ser considerada tranquila. "Teve a diminuição da pressão por internações. Os hospitais começam a respirar, têm melhor condição de trabalho das equipes de saúde e trabalhar com o kit intubação, mas a situação ainda não é confortável, continua tendo 2 mil mortes por dia. A população ainda precisa perseverar nas medidas não farmacológicas: máscara, distanciamento físico e lavagem das mãos, enquanto não é vacinada."

Estadão
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