EUA aprovam pílula da Pfizer contra covid-19
Órgão regulador americano autorizou uso emergencial do Paxlovid em pacientes com mais de 12 anos, com risco de desenvolver doença grave. Segundo a farmacêutica, droga reduz em 89% o risco de hospitalização ou morte.Os Estados Unidos autorizaram nesta quarta-feira (22/12) o uso emergencial da pílula experimental da Pfizer contra covid-19. Chamado de Paxlovid, o medicamento é o primeiro tratamento oral contra a doença que pode ser feito em casa, fornecendo uma ferramenta potencialmente importante na luta contra a variante ômicron, que se espalha rapidamente. Na semana passada a Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) já havia autorizado o uso.
A Food and Drug Administration (FDA, na sigla em inglês), agência dos Estados Unidos equivalente à Anvisa, autorizou o uso para pacientes com mais de 12 anos, com doença leve ou moderada, e que apresentam alto risco de progressão para covid-19-grave.
O medicamento estará disponível apenas com prescrição médica e deve ser iniciado o mais rapidamente possível após o diagnóstico da doença, em até cinco dias após o início dos sintomas. Os comprimidos devem ser tomados a cada 12 horas, durante cinco dias.
Redução de mortes e hospitalizações
Na semana passada, a Pfizer anunciou que resultados recentes mostram que o Paxlovid reduz em 89% o risco de hospitalização ou morte pela doença em adultos, se administrado nos três dias seguintes ao aparecimento dos primeiros sintomas.
Além disso, a empresa também afirmou que os dados mais recentes confirmam que o medicamento é "um inibidor potente" da variante ômicron do coronavírus.
A pílula é uma combinação de dois medicamentos: o nirmatrelvir, uma nova droga experimental, e ritonavir, um antiviral já existente e usado contra o HIV. O nirmatrelvir atua bloqueando a ação de uma enzima que o coronavírus precisa para se replicar. Já o ritonavir é administrado para retardar a degradação do nirmatrelvir no organismo, aumentando a sua eficácia.
"A aprovação de Paxlovid é um ponto importante que marca mais um passo para tornar a covid-19 uma infecção muito mais controlável", disse Amesh Adalja, estudioso sênior do Instituto Johns Hopkins para Segurança de Saúde.
"No entanto, agora permanecem duas questões principais: a droga será escassa nas próximas semanas e seu uso ideal requer diagnóstico imediato, o que pode ser difícil com os problemas de testes que nos afligem", acrescentou Adalja.
Capacidade de produção
A Pfizer disse que tem 180.000 ciclos de tratamento prontos para serem enviados ainda este ano. O contrato com o governo dos EUA prevê 10 milhões de ciclos, a um custo de 530 dólares cada.
A farmacêutica elevou suas projeções de produção no ano que vem de 80 milhões para 120 milhões de ciclos.
A empresa concordou em permitir que fabricantes de genéricos forneçam versões do tratamento a 95 países de baixa e média renda por meio de um acordo de licenciamento com o grupo internacional de saúde pública Medicines Patent Pool (MPP). Elas devem estar disponíveis no próximo ano.
le (reuters, afp, ap, ots)
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