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Construtoras já focam pós-crise e sugerem nova linha de crédito atrelada à poupança

A proposta da Abrainc prevê que seria possível oferecer aos consumidores uma taxa de juros em torno de 5% ao ano, patamar inferior à média de 7,5% ao ano

3 abr 2020
07h11
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Empresários da construção levaram ao Banco Central (BC) a proposta de criação de uma nova linha de financiamento da compra de imóveis, com a taxa de juros atrelada à remuneração da caderneta de poupança e abaixo da média de mercado. A ideia é começar a articular essa proposta agora para o lançamento mais adiante, após o turbilhão da crise provocado pelo coronavírus. Com estandes de vendas fechados, resta às construtoras procurar maneiras de reaquecer mais rápido os negócios no pós-crise.

A proposta é de autoria da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) e prevê que seria possível oferecer aos consumidores uma taxa de juros em torno de 5% ao ano, patamar inferior à média de 7,5% ao ano praticado nas linhas com recursos captados na poupança - principal fonte de onde os bancos tiram dinheiro para financiar a compra de casas.

A caderneta está rendendo hoje 2,62% ao ano mais Taxa Referencial (TR). "Se o banco captar esses recursos e emprestar aos consumidores com um ganho de 2 pontos porcentuais, mais alguma folga, seria possível oferecer uma taxa de 5% ano nessa linha", afirma o presidente da Abrainc, Luiz França.

"É uma medida que servirá de estímulo às vendas de imóveis, mas sem prejudicar os bancos, porque garante o spread para a instituição financeira", diz França. "Se o consumidor estiver em dúvida nessa crise, tenderá a decidir comprar o imóvel, porque é um juro baixo.". Em sua avaliação, a potencial nova linha será uma ferramenta importante para agilizar o reaquecimento do mercado, depois que a crise passar.

Por enquanto, no setor bancário, a criação de um novo produto em meio à crise gerada por conta da pandemia de coronavírus tem pouco eco. A atenção, agora, está totalmente voltada a medidas que amorteçam o baque econômico nos contratos de financiamentos imobiliários. Nesse sentido, os bancos concederam carência de 60 dias para o pagamento das prestações e cogitam ampliar essa prazo caso necessário, para que o volume de imóveis retomados não volte a crescer como no passado. "Ninguém quer ter uma imobiliária nas mãos", diz um porta-voz do segmento.

Riscos

No último ano, o portfólio de financiamentos imobiliários cresceu no Brasil, puxado por lançamentos da Caixa Econômica Federal. O banco criou duas novas modalidades, sendo uma atrelada à inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e outra com juros pré-fixados. Entre os concorrentes privados, o apetite foi apenas pela linha sem correção. Isso porque esses bancos veem na inflação um risco maior para os tomadores por conta da variação do indicador.

No caso da nova modalidade de crédito sugerida pelas construtoras, essa visão também vale. A medida carrega um fator de risco que precisa ser levado em conta pelos consumidores: os juros do contrato de financiamento podem oscilar de acordo com a remuneração da poupança, que é variável.

Pelas regras do Banco Central, a caderneta rende 70% da taxa básica da economia, a Selic, mais Taxa Referencial (TR), quando a Selic está abaixo de 8,5%. Hoje isso equivale aos 2,62% citados acima. Mas, quando os juros estiverem acima de 8,5%, o rendimento da poupança passa a ser de 0,5% ao mês mais a TR. Nesse caso, essa valor seria de 6,2% ao ano.

O fator de risco é semelhante à da linha de crédito lançada pela Caixa Econômica Federal no ano passado em que a correção da taxa é atrelada ao IPCA. A Caixa anuncia essa opção de crédito com taxas anuais entre IPCA mais 2,95% e IPCA mais 4,95%. Quando a inflação está baixa, o mutuário tem vantagem e paga prestações menores. Mas se o conjunto de preços da economia sobem, a prestação do financiamento também encarece.

O presidente da Abrainc diz que sua proposta tem uma vantagem. "Na modalidade que estamos sugerindo, o risco é baixo para o tomador, porque a remuneração da poupança tem a trava de 6,2% ao ano, mesmo que a Selic dispare para 10% ou 15%. Na linha do IPCA não tem trava".

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Estadão
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