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Bolsonaro está "determinado" em tocar reformas, diz Guedes

Ministro da Economia disse também que Brasil vai 'surpreender o mundo' com sua dinâmica políticar

3 jul 2020
19h17
atualizado às 20h09
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O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse hoje que o presidente Jair Bolsonaro está "determinado" a continuar com as reformas estruturais. Em live promovida pela Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), Guedes voltou a traçar um prognóstico positivo para a recuperação da atividade econômica após o momento mais dramático dos efeitos da pandemia do novo coronavírus.

O ministro da Economia, Paulo Guedes.
O ministro da Economia, Paulo Guedes.
Foto: Marcos Corrêa/Presidência da República - 9/6/2020 / Estadão Conteúdo

"O presidente está determinado a seguir em frente (com reformas), e Congresso é reformista", disse Guedes, logo após dizer que o Brasil vai "surpreender o mundo" com sua dinâmica política. No mês passado, Bolsonaro disse que a reforma administrativa deve ser enviada apenas no ano que vem e defendeu uma versão "enxuta" da reforma tributária. Hoje, o ministro da Economia disse que a reforma administrativa ainda está na pauta, mas não se comprometeu com datas de envio da proposta. "Voltaremos (ao assunto) ainda neste governo", afirmou.

Em seu diagnóstico para a retomada, Guedes disse que se o governo e o Congresso trabalharem fortemente nos próximos três ou quatro meses, haverá um cenário "muito favorável" para o ano que vem. "Aí sim podemos dizer que recuperação será em V", afirmou o ministro, reconhecendo que seria um V mais aberto (refletindo uma retomada um pouco mais lenta), "mas ainda em V".

Guedes admitiu que houve "semanas muito difíceis" em que o crédito não estava chegando na ponta, apesar das ações para garantir liquidez às empresas nesse momento de dificuldade. No entanto, ele afirmou que as medidas foram aprimoradas e que "nos próximos 60, 90 dias, o dinheiro terá chegado".

O ministro afirmou que a retomada das atividades precisa ser devagar para respeitar protocolos de saúde, mas garantiu que o governo não vai "ficar parado". "Nosso Congresso vai avançar com reformas que permitem destravar horizonte de investimentos. Saneamento é só o começo", disse.

Investimentos públicos

O ministro da Economia voltou a criticar a defesa de aumento intenso dos investimentos públicos para impulsionar a retomada da economia e disse que "tudo bem" fazer um programa de investimentos públicos "moderados". A fala vem após o chamado Plano Pró-Brasil de retomada ter gerado atrito entre a Economia e o Ministério do Desenvolvimento Regional, que desejava um plano mais amplo de investimento com recursos do governo.

Como mostrou o Estadão/Broadcast, em junho, Guedes e o ministro Rogério Marinho selaram uma trégua e acertaram um plano mais enxuto de obras para ajudar na recuperação da economia sem inviabilizar o ajuste fiscal. A conversa ocorreu após quase dois meses sem que os dois se falassem.

"Chamar de pró-brasil um programa de investimentos moderados, dentro do orçamento, que possam mobilizar investimento público, tudo bem", disse o ministro da Economia durante a live da Abdib.

Guedes disse não simpatizar com a ideia de um plano de desenvolvimento de longo prazo. "Vamos fazer o PAC da Dilma de novo? Quebrar o Brasil mais ainda?", questionou. "O plano é fazer mais (minha) casa minha vida, procurar mais três ou quatro rios para fazer transposição? Se agora tem coronavírus, só falta um PAC novo pra gente empacotar de vez", emendou o ministro.

Guedes voltou a dizer que a retomada será puxada pelo setor privado. "Quem vai investir? O mundo inteiro, não é o setor público brasileiro."

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Estadão
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