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Aplicação da 2ª dose se torna predominante no País

Brasil entra em nova fase da sua campanha de vacinação. Além da entrega de doses, sucesso da etapa pressupõe convencimento da população para retorno a postos de saúde

10 set 2021 03h05
| atualizado às 07h21
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A aplicação da segunda dose contra a covid-19 no Brasil foi predominante na semana passada pela primeira vez desde o início de maio, apontam dados do Ministério da Saúde. É apenas a quarta vez que isso ocorre e a primeira em um contexto de vacinação com a primeira dose avançada no País, o que indica uma nova fase da campanha de imunização.

Frasco com etiqueta "Vacina Coronavírus Covid-19"
30/10/2020
REUTERS/Dado Ruvic
Frasco com etiqueta "Vacina Coronavírus Covid-19" 30/10/2020 REUTERS/Dado Ruvic
Foto: Reuters

Além da entrega de vacinas, o avanço da aplicação da segunda dose de imunizantes contra a covid-19 no Brasil também envolve uma série de outros fatores: desde a realização de campanhas publicitárias para conscientização até a busca ativa de quem não tiver retornado para completar o esquema vacinal.

Especialistas ouvidos pelo Estadão apontam que ações como essas são de extrema importância sobretudo porque o espaço entre as doses foi expandido para alguns imunizantes no País, o que aumenta os riscos de evasão.

Para a epidemiologista Denise Garrett, vice-presidente do Instituto Sabin, vários fatores dificultam a aplicação da segunda dose no Brasil. A falta de vacinas é um deles. "Quando a pessoa vai ao posto e não encontra a vacina que precisa para a segunda dose, dificilmente irá em outro local ou voltará outro dia", explica.

Outro ponto levantado pela especialista é o esquecimento. O intervalo entre as doses das vacinas pode chegar a doze semanas. Muita gente fica ansiosa aguardando a data do reforço, mas outro tanto esquece de voltar ao posto. "Precisamos de algum mecanismo para lembrar a pessoa, seja uma mensagem de texto, ligação, e-mail...".

Para aumentar a adesão, ela pede que os governos facilitem o acesso à vacina. Se uma pessoa busca a segunda dose um ou dois dias antes do prazo, não deveria ser impedida de recebê-la, cita Denise. A especialista diz que ampliar o horário de funcionamento das unidades de saúde é outra forma de aumentar o acesso à vacina.

Campanhas publicitárias também podem fazer a adesão crescer. "Isso faz toda a diferença. Embora a gente tenha uma cultura pró-vacina muito forte, muitas vezes as pessoas esquecem da segunda dose", diz. A propaganda ajudaria a lembrar de completar a vacinação.

Denise ressalta que apenas uma dose da vacina não impede a pessoa de ser infectada pelo coronavírus, principalmente em um cenário que passa a ser dominado pela variante Delta. "Não tomar a segunda dose no tempo certo é desperdiçar os esforços feitos até aqui. A primeira dose sozinha evita parte das internações graves e mortes, mas não confere proteção contra a infecção".

A epidemiologista afirma que o Brasil tem o conhecimento suficiente para garantir que todos recebam a segunda dose no tempo certo, mas falta esforço por parte dos governantes. "Não adianta adiantar a vacinação para os mais jovens se a cobertura em pessoas mais velhas ficar prejudicada. É essencial olharmos para as taxas de segunda dose", diz.

Estadão
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