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Concessionária Rota de Santa Maria protocola pedido de revisão de contrato e estuda adoção de free flow na RSC-287

Proposta entregue à Agergs prevê readequação do cronograma de duplicações após impactos climáticos; mudanças podem incluir o fim das praças físicas e taxas proporcionais ao trecho percorrido

8 jul 2026 - 10h52
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A Secretaria de Reconstrução do Estado do Rio Grande do Sul confirmou oficialmente que a concessionária Rota de Santa Maria homologou junto à Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do RS (Agergs) o pedido formal para a revisão quinquenal do contrato de concessão da RSC-287. Embora o teor exato das planilhas e dos requerimentos técnicos seja mantido sob sigilo por ambos os órgãos, o Diário e o portal Gaz apuraram que a espinha dorsal das tratativas envolve uma reestruturação profunda nos prazos das obras de duplicação e a possibilidade de implantação do sistema tecnológico de pedágio automático, conhecido como free flow.

Foto: Divulgação / Porto Alegre 24 horas

A concessionária Rota de Santa Maria foi procurada na última terça-feira (7) para comentar as negociações e detalhar as projeções financeiras, mas preferiu não responder aos questionamentos nem emitir notas oficiais sobre o tema.

Como funcionaria o modelo hipotético de cobrança por pórticos

A substituição das tradicionais praças físicas de pedágio por pórticos eletrônicos de leitura de placas e tags transformaria radicalmente a dinâmica dos 204 quilômetros da rodovia que liga Tabaí a Santa Maria. Se aprovado pelo governo estadual, o novo modelo traria as seguintes inovações operacionais:

  • Tarifas regionalizadas: O Estado avalia a viabilidade de aplicar cobranças diferenciadas com base na infraestrutura entregue. Desse modo, os trechos já duplicados (como no entorno de Santa Cruz do Sul) poderiam ter tarifas quilométricas ligeiramente superiores às regiões que ainda aguardam as pistas duplas (como no trecho de Santa Maria).

  • Cobrança proporcional (Justiça tarifária): Atualmente, um automóvel desembolsa um total de R$ 27,00 cruzando as cinco praças físicas para percorrer toda a extensão da via. Em um cenário hipotético simulado pelo Diário, caso fossem instalados 20 pórticos automáticos (um a cada 10 km), o valor unitário por pórtico despencaria para a faixa de R$ 1,35. Isso tornaria a taxa mais justa para quem roda distâncias curtas, embora passe a tarifar motoristas que hoje usam trechos curtos sem pagar nada, como o trajeto entre Santa Maria e o Trevo de Palma.

  • Desconto para usuário frequente: A modelagem prevê a inserção de descontos progressivos para motoristas locais que utilizam o mesmo trecho repetidas vezes no mês, nos moldes do sistema já operado pela concessionária CSG na Serra Gaúcha.

"Um dos principais gargalos é a praça de pedágio, e isso a gente pode mudar sem aumentar a tarifa, colocando o free flow", projetou o secretário da pasta de Reconstrução, Pedro Capeluppi.

Para a empresa privada, o free flow representa um corte drástico nos custos operacionais com pessoal e manutenção de cabines, embora traga o risco financeiro de aumento nos índices de inadimplência de motoristas que evadem o sistema sem tags, exigindo cálculos rigorosos sobre o fluxo de caixa antes de uma eventual homologação.

O vai e vem das duplicações: Antecipação em Santa Maria e risco de adiamento no Vale

O principal motivador do pedido de reequilíbrio econômico-financeiro por parte da Rota de Santa Maria decorre da severa frustração de receita registrada nos últimos períodos, afetada diretamente pelas quebras de fluxo da pandemia e, de forma mais devastadora, pelos bloqueios e danos estruturais causados pelas enchentes históricas no estado.

Com o caixa impactado, o cronograma das grandes obras passará por uma reorganização drástica:

Trecho da Rodovia Extensão / Localização Situação Contratual na Revisão
Santa Maria à Quarta Colônia 22 quilômetros Antecipação confirmada: Promessa do governo gaúcho prevê trazer a obra para os próximos anos. O contrato original previa a execução deste trecho apenas entre os anos de 2040 e 2042.
Novo Cabrais a Tabaí Trechos do Vale do Rio Pardo e Taquari Risco de adiamento: As frentes de expansão de pista programadas para serem entregues impreterivelmente até o ano de 2030 correm risco de serem jogadas para a frente para aliviar o fluxo de investimentos imediatos da concessionária.
Porto Alegre 24 horas
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