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Como a proteína C reativa tomou o lugar do colesterol "ruim" como principal marcador de risco para doenças cardíacas

Um marcador de inflamação, a proteína C reativa pode ser medida com exames de sangue simples, como acontece com o colesterol.

6 jan 2026 - 10h06
(atualizado em 6/1/2026 às 14h48)
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Danos nos vasos sanguíneos provocados por dietas ricas em gordura e açúcar levam à inflamação, que pode ser detectada com a medição da proteína C reativa, produzida pelo fígado Mohammed Haneefa Nizamudeen/iStock via Getty Images Plus
Danos nos vasos sanguíneos provocados por dietas ricas em gordura e açúcar levam à inflamação, que pode ser detectada com a medição da proteína C reativa, produzida pelo fígado Mohammed Haneefa Nizamudeen/iStock via Getty Images Plus
Foto: The Conversation

As doenças cardíacas são a principal causa de morte nos Estados Unidos e no Brasil.

Desde que as pesquisas estabeleceram pela primeira vez a relação entre dieta, colesterol e doenças cardíacas na década de 1950, o risco de doenças cardíacas tem sido em parte avaliado com base nos níveis de colesterol do paciente, que podem ser medidos rotineiramente por meio de exames de sangue.

Mas evidências acumuladas nas últimas duas décadas demonstram que um biomarcador chamado proteína C reativa - que sinaliza a presença de inflamação de baixo grau - é um melhor indicador do risco de doenças cardíacas do que o colesterol.

Como resultado, em setembro de 2025, o Colégio Americano de Cardiologia publicou novas recomendações para o rastreamento universal dos níveis de proteína C reativa em todos os pacientes, juntamente com a medição dos níveis de colesterol.

O que é a proteína C reativa?

A proteína C reativa é produzida pelo fígado em resposta a infecções, danos nos tecidos, estados inflamatórios crônicos decorrentes de doenças autoimunes e distúrbios metabólicos, como obesidade e diabetes. Essencialmente, é um marcador de inflamação - o que significa ativação do sistema imune - no corpo.

A proteína C reativa pode ser facilmente medida com exames de sangue. Um nível baixo de proteína C reativa - abaixo de 1 miligrama por decilitro - significa inflamação mínima no corpo, o que protege contra doenças cardíacas. Um nível elevado de proteína C reativa, superior a 3 miligramas por decilitro, significa níveis aumentados de inflamação e, portanto, maior risco de doenças cardíacas. Cerca de 52% dos americanos têm um nível elevado de proteína C reativa no sangue.

Pesquisas mostram que a proteína C reativa é um marcador preditivo melhor para ataques cardíacos e derrames do que o colesterol "ruim", ou LDL (sigla em inglês para lipoproteína de baixa densidade), bem como outro biomarcador geneticamente herdado comumente medido chamado lipoproteína (a). Um estudo descobriu que a proteína C reativa pode prever doenças cardíacas tão bem quanto a pressão arterial.

Por que a inflamação é importante?

A inflamação desempenha um papel crucial em todas as fases do desenvolvimento e acúmulo de placas de gordura nas artérias, o que causa uma condição chamada aterosclerose que pode levar a ataques cardíacos e derrames.

A partir do momento em que um vaso sanguíneo é danificado, seja por alto nível de açúcar no sangue ou fumaça de cigarro, as células imunes se infiltram imediatamente na área. Essas células imunes subsequentemente engolfam partículas de colesterol que normalmente flutuam na corrente sanguínea para formar uma placa gordurosa que se gruda na parede do vaso.

Esse processo continua por décadas até que, eventualmente, um dia, mediadores imunes rompem a capa que envolve a placa. Isso desencadeia a formação de um coágulo que obstrui o fluxo sanguíneo, priva os tecidos circundantes de oxigênio e, por fim, causa um ataque cardíaco ou derrame.

Portanto, o colesterol é apenas parte da história; na verdade, é o sistema imune que atua em cada etapa dos processos que levam à doença cardíaca.

Conceito tridimensional do acúmulo de placa de gordura em uma artéria.
Conceito tridimensional do acúmulo de placa de gordura em uma artéria.
Foto: The Conversation

O acúmulo de placa de gordura nas artérias causa um bloqueio que priva os tecidos de oxigênio e pode levar a um ataque cardíaco ou derrame. wildpixel/iStock via Getty Images Plus

Dieta pode influenciar a proteína C reativa?

O estilo de vida pode influenciar significativamente a quantidade de proteína C reativa produzida pelo fígado.

Vários alimentos e nutrientes demonstraram reduzir os níveis de proteína C reativa, incluindo fibras alimentares de alimentos como feijões, vegetais, nozes e sementes, bem como bagas, azeite, chá verde, sementes de chia e sementes de linhaça.

A perda de peso e a prática de exercícios físicos também podem reduzir os níveis de proteína C reativa.

Variedade colorida de alimentos que ajudam a reduzir o risco de doenças cardíacas.
Variedade colorida de alimentos que ajudam a reduzir o risco de doenças cardíacas.
Foto: The Conversation

A dieta desempenha um papel fundamental no risco de doenças cardíacas. monticelllo/iStock via Getty Images Plus

O colesterol ainda é importante no risco de doenças cardíacas?

Embora o colesterol possa não ser mais o indicador mais importante do risco de doenças cardíacas, ele continua sendo altamente relevante.

Mas não é apenas a quantidade de colesterol — ou, mais especificamente, a quantidade de colesterol "ruim", ou LDL — que importa. Duas pessoas com o mesmo nível de colesterol não têm necessariamente o mesmo risco de doenças cardíacas. Isso porque o risco é determinado mais pelo número de partículas em que o colesterol ruim está encapsulado do que pela massa total de colesterol ruim que circula no organismo. Mais partículas significam maior risco.

É por isso que um exame de sangue conhecido como apolipoproteína B, que mede o número de partículas de colesterol, é um melhor indicador do risco de doenças cardíacas do que as medições das quantidades totais de colesterol ruim.

Assim como o colesterol e a proteína C reativa, a apolipoproteína B também é influenciada por fatores relacionados ao estilo de vida, como exercícios físicos, perda de peso e dieta. Nutrientes como fibras, nozes e ácidos graxos ômega-3 estão associados a uma diminuição do número de partículas de colesterol, enquanto o aumento da ingestão de açúcar está associado a um maior número de partículas de colesterol.

Além disso, a lipoproteína (a), uma proteína que vive na parede que envolve as partículas de colesterol, é outro marcador que pode prever doenças cardíacas com mais precisão do que os níveis de colesterol. Isso ocorre porque a presença da lipoproteína (a) torna as partículas de colesterol pegajosas, por assim dizer, e, portanto, mais propensas a ficarem presas em uma placa aterosclerótica.

No entanto, ao contrário de outros fatores de risco, os níveis de lipoproteína (a) são puramente genéticos. Portanto, não são influenciados pelo estilo de vida e precisam ser medidos apenas uma vez na vida.

Qual é a melhor maneira de prevenir doenças cardíacas?

Em última análise, as doenças cardíacas são o resultado de muitos fatores de risco e suas interações ao longo da vida.

Portanto, prevenir doenças cardíacas é muito mais complicado do que simplesmente seguir uma dieta sem colesterol, como se pensava anteriormente.

Conhecer o seu nível de colesterol LDL, juntamente com os níveis de proteína C reativa, apolipoproteína B e lipoproteína (a), dá uma visão abrangente do risco, o que pode ajudar a motivar um compromisso de longo prazo com os princípios básicos da prevenção de doenças cardíacas. Isso inclui alimentar-se bem, praticar exercícios regularmente, dormir o suficiente, controlar o estresse de maneira produtiva, manter um peso saudável e, se for o caso, parar de fumar.

The Conversation
The Conversation
Foto: The Conversation

Mary J. Scourboutakos não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.

The Conversation Este artigo foi publicado no The Conversation Brasil e reproduzido aqui sob a licença Creative Commons
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