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Começa julgamento de acusados de roubar moeda gigante em Berlim

11 jan 2019
11h38
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Grupo ligado a um clã libanês baseado na capital alemã é apontado como responsável pelo roubo de objeto de 100 quilos de ouro de elevado grau de pureza e avaliado em mais de R$ 16 milhões.Um julgamento incomum teve início nesta quinta-feira (10/01) num tribunal de Berlim. Ele envolve quatro homens acusados de invadir de maneira espetacular o Museu Bode, um dos mais conhecidos da capital, em março de 2017. O alvo do grupo: uma moeda de ouro de cem quilos com a imagem da rainha Elizabeth 2°, conhecida como "Big Maple Leaf".

A "Big Maple Leaf" entrou no Livro Guinness dos Recordes por sua inigualável pureza de 999,99/1000 de ouro
A "Big Maple Leaf" entrou no Livro Guinness dos Recordes por sua inigualável pureza de 999,99/1000 de ouro
Foto: DW / Deutsche Welle

O valor estimado da peça era de 3,75 milhões de euros (cerca de R$ 16 milhões). A polícia suspeita que a moeda, do tamanho de um pneu de automóvel, tenha sido partida em pedaços, derretida e depois vendida no mercado negro, na sequência do roubo bem-sucedido.

Agora, quatro homens estão respondendo pelo crime diante de um tribunal, após serem denunciados pelo Ministério Público alemão. Eles são Wayci R. e Ahmed R., dois irmãos de 24 e 20 anos, Wissam R., um primo deles de 22 anos, e um quarto homem de 20 anos sem parentesco com o trio, identificado como Dennis W.. Parte dos jovens são membros de um clã familiar de origem libanesa que mora em Berlim e que já foi alvo da polícia em outras ocasiões.

A denúncia apontou que o trio de parentes entrou no museu por meio da janela de um vestiário, onde sabiam não haver alarme. Em seguida, eles se dirigiram até uma sala em que eram guardadas coleções de moedas. No local, quebraram um expositor e pegaram a enorme moeda de ouro, que foi colocada sobre um skate e levada para o vestiário, cuja janela tinha saída para os trilhos de uma linha do S-Bahn berlinense, os trens locais de superfície. Na linha férrea elevada, eles colocaram a moeda num carrinho para transportá-la pelos trilhos. Tudo ocorreu de madrugada, quando não havia trens circulando.

O Museu Bode é parte da Ilha dos Museus de Berlim, um Patrimônio Mundial da Unesco, que é cercada por canais fluviais. A denúncia apontou que os acusados também usaram cordas para descer a moeda da via elevada, antes de seguirem para um parque próximo, onde um carro de fuga aguardava o grupo. Segundo a denúncia, o acusado sem laços familiares com o trio, Dennis W., já havia trabalhado esporadicamente como guarda no museu e teria ajudado os membros do clã a identificar a melhor forma de entrar no local.

O primeiro dia do julgamento despertou muito interesse da mídia alemã, que compareceu em peso ao tribunal. Diante de tantas câmeras, os acuados cobriram seus rostos usando revistas - um deles se escondeu atrás de um exemplar da revista "Conhecimento e Assombro".

Dois acusados afirmaram que eram estudantes. Outro disse que trabalha como entregador. Já o quarto afirmou que estuda numa universidade privada de Berlim. Como alguns dos acusados eram menores de idade à época do roubo, o caso está sendo julgado por uma vara da infância e da juventude.

Os quatro acusados permaneceram em silêncio no início do julgamento. A defesa deles, no entanto, fez tentativas de refutar as acusações apresentadas pelos procuradores. Segundo os advogados, a intensa investigação da polícia não revelou "nenhum prova conclusiva" que implicasse os acusados e sempre partiu do princípio de que eles fossem os culpados, sem avaliar outras linhas de investigação.

A defesa também alegou que, apesar de terem sido realizadas 30 operações buscas e 50 grampos telefônicos durantes as investigações, mais o uso de cães farejadores e equipamentos de GPS, as provas continuam "insuficientes". A polícia chegou a realizar buscas em 77 propriedades do clã em busca da moeda.

A defesa também apontou que as imagens de câmeras de segurança do museu - que gravaram três homens mascarados entrando no prédio - não mostram os rostos dos acusados. Os advogados também afirmaram que a divulgação de aspectos da investigação pela mídia teria rotulado a família R. como um clã de criminosos.

Essa última observação provocou uma reação do conselheiro da Infância e Juventude do distrito de Neukölln, Falko Liecke. Em um texto publicado no Twitter, ele disse "18 jovens, 218 delitos criminais: essa é a célebre família R, de Neukölln".

No momento, nenhum dos acusados permanece preso. No entanto, dois deles tiveram seus bens bloqueados, segundo o tribunal. A procuradoria ainda está levantando uma relação para eventualmente confiscá-los, mas isso vai depender do resultado do julgamento nos próximos meses. Estão previstas pelo menos 12 audiências até o fim do caso.

A "Big Maple Leaf" era uma peça comemorativa cunhada pela Royal Canadian Mint em 2007. Assim como todas as moedas canadenses, ela trazia o retrato da rainha Elizabeth 2ª. Com 53 centímetros de diâmetro e três centímetros de espessura, a moeda entrou no Livro Guinness dos Recordes por sua inigualável pureza de 999,99/1000 de ouro.

Antes do roubo, ela estava em exibição no Museu Bode, cujo nome homenageia o primeiro diretor da instituição, Wilhelm von Bode, desde 2010 e fazia parte da coleção Münzkabinett, o mais importante arquivo de moedas de Berlim, que inclui mais de 540 mil objetos.

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