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Indefinições fazem deputados não quererem relatar Previdência

Atos recentes do governo, como a presença de Carlos Bolsonaro no Planalto e a edição do decreto sobre nomeação de cargos, têm gerado desconfiança

19 mar 2019
21h08
atualizado às 21h24
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Com receio de terem de assumir um grande ônus vindo dos desgastes em relação às discussões da reforma da Previdência, integrantes da Comissão de Constituição e Justiça têm rejeitado sondagens para assumir a relatoria da proposta no colegiado.

Recentes atos e declarações do governo têm dificultado a consolidação de uma base de apoio ao presidente Jair Bolsonaro, e esta incerteza acarretará ainda mais dificuldade à tarefa do escolhido de conseguir aprovar a emenda no colegiado. Por isso, integrantes da CCJ avaliam que há uma relutância em se assumir este protagonismo neste momento.

Plenário da Câmara dos Deputados
29/06/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino
Plenário da Câmara dos Deputados 29/06/2017 REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: Reuters

O sentimento foi relatado ao Broadcast/Estadão por líderes partidários e deputados que são membros da Comissão. "Além do partido do próprio presidente, o PSL, é difícil achar alguém que se sinta à vontade para defender o governo na Casa agora", afirmou um parlamentar.

O mais recente acontecimento que causou descontentamento no parlamento foi o decreto editado nesta semana pelo presidente sobre a nomeação de cargos. A medida estabelece critérios mínimos para o preenchimento de cargos, mas deixou brechas para que as indicações políticas continuem a ocorrer. Nas exigências estão desde tempo mínimo de experiência na área até especializações como mestrado ou doutorado.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta terça-feira, 19, que há um consenso para alterar o decreto. Segundo ele, líderes cobraram que a medida seja retroativa para todas as nomeações feitas pelo atual governo desde a posse.

Outro fato recente que causou irritação nos parlamentares foi a presença de um dos filhos de Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ), no Planalto na última segunda, 18. Na passagem por Brasília, Carlos publicou em suas redes que estaria "desenvolvendo linhas de produção solicitadas pelo Presidente Jair Bolsonaro".

A falta de dedicação de Bolsonaro nas redes sociais para a aprovação da PEC, assim como a viagem do presidente aos Estados Unidos, também gera desconfiança entre os parlamentares sobre qual é a verdadeira pauta do governo.

Nos bastidores, há ainda outro episódio que atingiu diretamente o presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Interlocutores de Maia notaram, nos últimos dias, um aumento de ataques a seu nome nas redes sociais, devido a declarações do deputado que defendem algumas mudanças na Nova Previdência e também devido ao pacote de medidas do ministro da Justiça, Sérgio Moro. As críticas publicadas na internet apareceram principalmente em perfis conservadores que costumam impulsionar as postagens do governo de Jair Bolsonaro na rede.

Estadão

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