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Objetivo de Trump de separar vacina tríplice viral pode levar uma década, dizem especialistas

12 ago 2026 - 11h13
(atualizado às 11h59)
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A ordem do presidente dos EUA, Donald Trump, ‌determinando que os norte-americanos recebam vacinas separadas contra sarampo, caxumba e rubéola enfrenta um obstáculo imediato: nenhuma dessas vacinas individuais está registrada no país, e especialistas afirmam que pode levar anos até que alguma delas esteja disponível, se é que isso virá a acontecer.

Duas fabricantes — a MSD & Co e a GSK — estão autorizadas a produzir vacinas combinadas contra sarampo, ⁠caxumba e rubéola para pacientes nos Estados Unidos. Vacinas específicas para cada uma dessas doenças não ‌estão disponíveis nos EUA desde que a MSD interrompeu sua produção em 2008. Elas não são utilizadas rotineiramente na maioria dos outros países.

MSD e GSK afirmaram em comunicados que ‌não há evidências científicas publicadas que apoiem a separação ‌das vacinas e que há décadas de evidências que comprovam a segurança de ⁠suas vacinas combinadas.

"Mesmo sob os atuais processos de análise acelerada, poderia levar anos — potencialmente até 10 — para atender aos requisitos de segurança e eficácia necessários para obter a aprovação da FDA e, então, iniciar a fabricação e a comercialização" das vacinas contra uma única doença, disse a MSD.

Trump assinou na segunda-feira o decreto exigindo a redução do número de vacinas ‌infantis, o que, segundo ele, proporcionará às crianças dos EUA uma proteção "padrão-ouro". De acordo com o ‌decreto, "a vacina combinada contra sarampo, ⁠caxumba e rubéola (MMR) deve ⁠ser administrada em três doses separadas, cada uma contra uma única doença, assim que tais produtos estiverem ⁠disponíveis no mercado interno".

Em uma coletiva de ‌imprensa na segunda-feira, Trump sugeriu que ‌as vacinas causam autismo, apesar da falta de evidências científicas de que exista uma relação entre os dois. Alguns especialistas em saúde pública afirmaram que a ordem poderia aumentar a relutância em relação à vacinação, expondo mais crianças a doenças que ⁠podem ser prevenidas por vacinas.

O CDC e muitos dos principais grupos médicos recomendam há muito tempo a vacina combinada, pois ela reduz o número de injeções e diminui o risco de que as crianças fiquem sem proteção contra uma das três doenças.

O dr. Andrew Racine, presidente da Academia Americana de Pediatria, disse ‌que, embora seja possível separar a vacina MMR em seus componentes, cada um desses componentes teria que ser fabricado e testado.

"Provavelmente, eles não seriam capazes de fazer isso em ⁠10 anos, e não há indícios de que tenham qualquer interesse em fazê-lo."

Estabelecer e obter aprovação regulatória apenas para os processos de fabricação das vacinas separadas poderia ser um processo demorado e oneroso, disse Jesse Goodman, ex-cientista-chefe da FDA.

"Eles estariam produzindo três vezes mais frascos ou doses de vacina e enchendo três vezes mais", afirmou Goodman. "Não é como se tivessem instalações ociosas — então, talvez precisem adaptar as instalações atuais ou até mesmo criar capacidade adicional para isso."

Ainda assim, uma autoridade da Casa Branca afirmou na segunda-feira que o governo trabalharia com o setor privado para disponibilizar a opção de vacinas separadas aos pais, contando com soluções baseadas no mercado.

"No momento, temos muitos norte-americanos e muitos pais norte-americanos que querem ver opções adicionais", disse a autoridade.

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