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Os 'paulistanos' nascidos em Pernambuco que retiram óleo das praias

Mancha de petróleo expôs uma das cidades com maior vulnerabilidade do País

27 out 2019
05h11
atualizado em 28/10/2019 às 11h53
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PAULISTA - "Nunca vi nada assim em 63 anos de vida. Chorei de emoção". A frase foi a primeira que o agente de limpeza Isaac Felix disse ao Estado após passar mais de 5 horas retirando óleo da Praia do Janga, em Paulista, na Grande Recife. "Quando me emociono, choro. Mas não foi de tristeza, foi de alegria, alegria de estar participando disso."

Isaac nasceu em Paulista e gosta de se dizer "paulistano" (embora também há quem prefira "paulistense" como gentílico oficial). Por lá, a chegada do óleo se sobrepôs aos outros problemas sociais que já levaram a Força Nacional para o município, de mais de 300 mil habitantes e 10º na lista G100 de 2018, das cidades populosas com baixa renda per capital e alta vulnerabilidade social, elaborada pela Federação Nacional de Prefeitos (FNP).

Com nome bíblico, como gosta de ressaltar, Isaac é funcionário de uma empresa terceirizada pela Prefeitura e trabalhava na retirada de lixo em uma praia vizinha quando foi avisado de que deveria se encaminhar para o Janga com os demais colegas. "Trabalho aqui (no Janga) com gosto. Vou contar para os meus netos o que a gente passou. Isso aqui não foi determinado por Deus, mas pela mão do homem."

Ele e outros agentes de limpeza locais participavam do recolhimento das toneladas de óleo achados no Janga, utilizando até enxadas para dividir aquela grande massa viscosa em pedaços que pudessem ser acondicionados em baldes ou sacos. Entre eles, participar da limpeza era uma satisfação expressa até em comemorações quando conseguiam erguer um saco muito pesado cheio de óleo.

A estudante Beatrice Miranda, de 27 anos, também é 'paulistana'. Assim que percebeu a presença do Estado, ela procurou a reportagem para lamentar o que considerava uma tragédia anunciada.

Periodicamente, ela e outros voluntários já costumavam realizar trabalho de remoção de lixo no mesmo local atingido pelo óleo. "Isso não é de agora, são 50 dias de descaso, sem monitoramento de verdade, sem nada."

Estadão
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