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Ibama põe mais um militar para combater incêndios florestais

Liberação de Antônio Pedro Diel Bastos de Souza para comando do Prevfogo foi publicada no Diário Oficial em 17 de agosto

27 ago 2020
12h42
atualizado às 12h52
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Mais um militar deve entrar em uma área de comando de órgãos federais ligados ao setor de meio ambiente. O Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), divisão do Ibama que cuida de combate a incêndios, deve ser comandado por Antônio Pedro Diel Bastos de Souza.

Bombeiro combate foco de incêndio na floresta amazônica, em Apuí (AM)
11/08/2020
REUTERS/Ueslei Marcelino
Bombeiro combate foco de incêndio na floresta amazônica, em Apuí (AM) 11/08/2020 REUTERS/Ueslei Marcelino
Foto: Reuters

Capitão do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal, Souza teve a sua liberação para o cargo publicada em Diário Oficial do DF no dia 17 de agosto, para que assuma a área do Ibama. A escolha de seu nome, conforme apurou o Estadão, foi feita por outro militar que está no órgão federal desde abril, o diretor de Proteção Ambiental do Ibama e coronel da Polícia Militar de São Paulo, Olímpio Ferreira Magalhães. Olímpio chegou ao posto por escolha do ministro do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

A mudança no comando do Prevfogo ocorre em meio à temporada de queimadas recordes na Amazônia e no Pantanal. A divisão do Ibama, até agora, era comandada por Gabriel Constantino Zacharias, que é analista ambiental e servidor de carreira do Ibama.

Enquanto as queimadas batem recorde, o governo tem mexido em cargos. Na semana passada, Ricardo Salles exonerou o coronel Homero de Giorge Cerqueira da presidência do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

O desgaste entre ele o ministro já ocorria havia alguns meses. Salles se incomodava com sua exposição, vista por ele como "excessiva", e acabou por demiti-lo, depois de ouvir reclamações de produtores rurais no Pantanal, que criticaram a atuação do ICMBio na região. Cerqueira deixou o cargo atacando o ministro. "É com espanto e indignação que fui informado de minha exoneração do cargo de presidente do ICMBio", escreveu o coronel, em mensagem enviada por Whatsapp a amigos. "Nunca pedi para ocupar este cargo e aceitei o convite como um desafio, não pedi para sair, fui surpreendido. Foi uma missão dada é cumprida com o melhor de mim", afirmou.

As queimadas que atingem o Pantanal desde julho, já alcançaram, em apenas 15 dias, quase o dobro do número de focos registrados em todo o mês de agosto no ano passado. Entre o dia 1º e 15 deste agosto, o bioma que se estende pelo Mato Grosso e Mato Grosso do Sul teve 3.121 focos, ante 1.690 focos observados em todo agosto de 2019. Ao longo do ano, já foram registrados 7.339 focos, alta de 131% em relação ao registrado nos primeiros oito meses do ano passado.

Agosto de 2019 (assim como praticamente todo o ano passado) já havia sido particularmente quente no Pantanal, com o maior número de focos desde 2012. Em apenas 15 dias, agosto deste ano, porém, já tem o maior número de queimadas desde 2005, quando houve 5.993 focos ao longo de todo o mês, de acordo com dados captados pelo Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Aquele foi o maior valor histórico de queimadas para o bioma em um único mês. No ritmo apresentado até agora, este mês pode passar a ocupar esse lugar.

Nota técnica do Instituto de Pesquisas Ambientais da Amazônia divulgada no começo do mês revelou que 30% do fogo registrado na Amazônia ao longo do ano passado foi de incêndio florestal. Outros 36% estão associados ao manejo agropecuário e os demais 34%, a desmatamentos recentes. Neste mês, em 18 dias, já foram registrados 18.343 focos no bioma. Em agosto de 2019, esta marca foi alcançada mais ou menos na metade do mês e ao final agosto fechou com 30.900 focos, o pior desde 2007.

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Estadão
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