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Águas-vivas não venenosas atraem curiosos a lago na Indonésia

15 jan 2013 10h49
| atualizado às 12h03
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As medusas (águas-vivas) do lago de água salgada de Kabakan, situado em uma remota e desabitada região da ilha de Bornéu e que atrai muitos turistas, têm uma particularidade: perderam o poder urticante em um habitat sem espécies predadoras. São muitos os curiosos que chegam todos os dias à ilha, situada a cerca de 1.500 quilômetros da capital Jacarta, para ver de perto ou mesmo tocar nestas medusas não venenosas, sempre com cautela e certo temor.

Com a passagem do tempo, os tentáculos destas medusas perderam suas células urticantes até que sua toxicidade chegou a ser imperceptível para os humanos
Com a passagem do tempo, os tentáculos destas medusas perderam suas células urticantes até que sua toxicidade chegou a ser imperceptível para os humanos
Foto: EFE

Os banhistas nadam e mergulham entre elas, as pegam com as mãos para comprovar sua inofensibilidade e algumas pessoas até mesmo levam o animal à boca. Há mais de dois milhões de anos, este lugar era um atol com uma lagoa interna que se comunicava com o mar, mas durante milhares de anos as rochas que o formavam emergiram e o lago ficou isolado.

Com a passagem do tempo, os tentáculos destas medusas perderam suas células urticantes até que sua toxicidade chegou a ser imperceptível para os humanos. A não comunicação com o mar evita que qualquer animal marinho de tamanho grande chegue ao lago e se transforme no rei de seus habitantes atuais: pequenos peixes, anêmonas, esponjas, serpentes marinhas e os quatro tipos diferentes de medusas.

"A mutação destas medusas foi propícia pela evolução natural do ecossistema, não tendo que temer nenhum grande predador, não necessitavam picar para se proteger", explica à Agência Efe Dewi Satriani, especialista indonésia da associação ecologista Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês).

Os densos mangues e os penhascos íngremes de pedra caliça da selvagem ilha de Kakaban, que no dialeto local significa abraço, rodeiam o lago que tem uma profundidade máxima de 18 metros e cuja superfície chega a cinco quilômetros quadrados. Em seu interior habitam milhares de medusas entre 10 e 30 centímetros que formam um mosaico combinando o verde das águas e o rosado das esponjas e corais com o laranja e o branco das águas-vivas.

As medusas mais comuns na superfície do lago são das espécies Mastigias papua, de cor alaranjada, e Aurelia aurita, que tem a forma de um prato pequeno e é translúcida.

Enquanto isso, nas profundezas é possível encontrar medusas da espécie Cassiopea ornata, que tem a particularidade de viver de cabeça para baixo, com seus tentáculos virados para o sol, e a Tripedalia cystophora, a de menor tamanho e população. A maravilha natural de Kakaban existe apenas em um outro lugar do mundo, na nação de Palau, no oeste do oceano Pacífico.

"O lago recebe turistas, principalmente indonésios, durante todo o ano e é a maior atração da região, apesar destas águas também serem as melhores do mundo para observar as arraias-manta, tartarugas marinhas e tubarões", disse à Efe Darjohn, um comerciante da vizinha ilha de Derawan, onde a maior parte dos visitantes fica hospedada.

No entanto, as associações ecologistas advertem que o turismo pode ser uma faca de dois gumes e solicitaram que o Governo local limite o número de visitantes que podem visitar o lago.

De fato, no início do século XXI, a ilha enfrentou um de seus momentos mais críticos quando alguns turistas introduziram exemplares de tartaruga marinha no lago, o que quase causou o desaparecimento das medusas, já que são parte da dieta dos quelônios.

"Kakaban é um patrimônio único que deve ser preservado. Infelizmente, cada vez é mais conhecido pelos turistas e sua situação se está deteriorando", argumenta Rusli Andar, um ativista indonésio especializado na ilha de Bornéu.

Entre as singulares precauções que os visitantes de Kakaban têm que tomar está não entrar no mar antes de entrar no lago, evitar o uso de filtro solar para não contaminar suas águas e não levar nenhuma medusa embora, uma espécie comum na Indonésia.

EFE   
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