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Chefe de governo espanhol descarta diálogo com Catalunha

8 out 2017
07h27
atualizado às 11h27
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Mariano Rajoy diz que unidade do país não é negociável e anuncia "consequências" em caso de declaração de independência da região. Milhares de pessoas protestam em Barcelona contra emancipação catalã.O presidente do governo da Espanha, Mariano Rajoy, afirmou taxativamente que impedirá que uma eventual declaração de independência da Catalunha produza quaisquer efeitos e se disse contrário à negociação para resolver o desafio independentista catalão, ressaltando que "a unidade da Espanha não se negocia" e "sob chantagem não é possível construir nada".

"Enquanto não voltar à legalidade, claro que não vou negociar", afirmou Rajoy em entrevista publicada neste domingo (08/10) pelo jornal El País, na qual o chefe de governo disse que "a Espanha vai continuar sendo a Espanha e vai continuar durante muito tempo".

Na sua primeira entrevista a um diário espanhol desde o início da crise entre Madri e Barcelona, Rajoy assegurou que, para seu governo "a única coisa que existe é a ideia de que não se pode dialogar sobre a unidade da Espanha, nem intermediar nem ser objeto de mediação, nem negociar com a ameaça de romper a unidade do Estado".

Ao longo da entrevista, ele reiterou que a Espanha "não vai se dividir" e que o governo usará "todos os instrumentos que a legislação dá" para conseguir isso.

"O governo vai tomar as decisões que tiver que tomar no momento preciso", assegurou Rajoy, acrescentando que "quem tiver que tomar a decisão deve fazê-lo com prudência e estando consciente das consequências da decisão que tomar".

Rajoy condicionou essa tomada de decisões ao fim das "ameaças independentistas" que, diz, tornam "muito difícil" que o governo adote qualquer medida para acabar com a crise catalã.

Artigo 155

Entre as possíveis soluções, Rajoy não descarta a aplicação do artigo 155 da Constituição, que permite ao governo central tomar o controle de uma região "caso o governo regional não cumpra as obrigações da Constituição". Para ele "o ideal" não é adotar medidas "drásticas", a não ser que na Catalunha aconteçam "retificações".

O presidente opinou que é "imprescindível" que o governo conte com o "maior apoio possível" dos grupos políticos neste momento e que nisso concordam PP, PSOE e Ciudadanos.

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Rajoy defendeu a atuação policial no dia 1° de outubro e sobre a atitude da polícia regional, os Mossos d'Esquadra, naquele dia, declarou que os juízes serão os encarregados de decidir se a atuação da polícia catalã "foi correta ou não".

Rajoy respondeu com um rotundo "não" ao ser perguntado se pensa em antecipar as eleições gerais na Espanha e assegurou que lhe parece "um disparate essa possibilidade, porque seria ruim" para o país e uma mensagem "péssima para os parceiros europeus".

Sobre a Europa, o presidente considerou que a UE "tem que ganhar esta batalha" que representa o movimento independentista catalão, pois os valores europeus estão "em jogo", ainda que tenha se mostrado convencido de que os governos da união estão lado a lado na defesa da Constituição e no cumprimento da lei.

Novo protesto em Barcelona

Um dia após dezenas de milhares de pessoas terem ido às ruas de Madri, Barcelona e de outras cidades espanholas para pedir "diálogo" e "unidade", uma grande manifestação em Barcelona este domingo reuniu opositores da independência da Catalunha da Espanha. O Prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa fez discurso no fechamento do comício. Antes do ato, o escritor peruano, de cidadania espanhola, já havia condenado como "doença" o desejo de independência catalã e alertou para "uma nova Bósnia".

A polícia municipal calculou em 350 mil o número de manifestantes que desfilaram em Barcelona contra a independência da Catalunha e pela unidade de Espanha. A organização do ato falou em um milhão de manifestantes.

Milhares de pessoas saíram da praça Urquinaona em direção à estação de metrô de França, erguendo bandeiras espanholas e catalãs sob a palavra de ordem "Basta! Recuperemos a sensatez".

Entre a profusão de bandeiras espanholas, catalãs e europeias, a marcha começou a avançar lentamente a partir das 12h (horário local), entre gritos de "Puigdemont para a prisão", numa referência ao líder do governo autônomo catalão, ou "viva Espanha, viva Catalunha".

As tensões entre Madri e Barcelona mergulharam a Espanha na sua mais grave crise política desde o regresso à democracia, em 1977.

A crise divide a Catalunha, onde vivem 16% dos espanhóis e onde, segundo as sondagens, metade da população não defende a independência.

A Justiça espanhola considerou ilegal o referendo para a independência convocado para 1° de outubro pelo governo regional catalão e deu ordem para que os Mossos d'Esquadra selassem os locais de votação.

Perante a inação da polícia catalã em alguns locais, foram chamadas forças de segurança de âmbito nacional, que protagonizaram os maiores momentos de tensão para tentar impedir o referendo, realizando batidas policiais contra eleitores e forçando a entrada em vários locais de votação ocupados de véspera por pais, alunos e residentes, para garantir que permaneceriam abertos.

A violência policial fez 893 feridos mas, apesar da repressão, 43,03% dos 5,3 milhões de eleitores conseguiram votar, e 90,18% deles votaram a favor da independência, segundo o governo regional da Catalunha.

MD/efe/lusa/dpa/afp/rtr

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