Volta a circular boato sobre registro de entrada de Adélio Bispo na Câmara dos Deputados
POLÍCIA LEGISLATIVA CONCLUIU, EM 2018, QUE NOME DO AUTOR DE ATENTADO CONTRA JAIR BOLSONARO APARECEU NO SISTEMA DE VISITANTES POR ENGANO DO FUNCIONÁRIO RESPONSÁVEL PELO REGISTRO
O que estão compartilhando: que o nome de Adélio Bispo, autor da facada em Jair Bolsonaro, em 2018, constava na lista de visitantes da Câmara dos Deputados no dia em que ele cometeu o crime, em Minas Gerais. A postagem diz que esse "segredo veio à tona", sugerindo se tratar de uma informação recente. Além disso, alega que o fato derruba a tese de que Adélio agiu sozinho, e mostra que ele tem "uma rede de proteção poderosa e obscura".
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. A postagem recupera um boato antigo, desmentido em 2018 pela Câmara dos Deputados e pela imprensa. O registro de que Adélio Bispo de Oliveira esteve no Congresso no mesmo dia do atentado contra Jair Bolsonaro foi fruto de um erro de um recepcionista terceirizado responsável pelo controle de entrada no Congresso.
O recepcionista acessou o sistema a pedido de policiais legislativos, logo após a notícia do atentado a Bolsonaro, no dia 6 de setembro de 2018. A intenção era verificar possíveis registros de entrada de Adélio na Câmara. Foi observado que o autor da facada visitou a Câmara em 2013. O recepcionista tentou atualizar as informações de cadastro de Adélio, mas acabou efetuando equivocadamente novos registros de entrada. O funcionário acionou seus superiores imediatamente para relatar o ocorrido, mas o sistema não permitiu que o erro fosse apagado.
Saiba mais: A postagem atribui à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro a 'revelação" de que o nome de Adélio Bispo consta na lista de visitantes que estavam na Câmara dos Deputados no dia em que ele cometia o atentado contra Jair Bolsonaro em Minas Gerais, em 6 de setembro de 2018. A postagem ainda diz que "descobriram o mandante da facada" no ex-presidente. Mas nada disso é verdade.
A confusão começou com a notícia, de 19 de setembro de 2018, de que havia dois registros de entrada de Adélio Bispo de Oliveira na Câmara dos Deputados. Ambas eram de 6 de setembro de 2018, dia do atentado contra Bolsonaro.
A informação das duas entradas constava em um ofício do dia 18 daquele mês, enviado pelo então diretor da Polícia Legislativa da Câmara dos Deputados, Paul Pierre Deeter, ao gabinete do terceiro secretário da Câmara na época, João Henrique Caldas.
No documento, Deeter apontou "impossibilidade de ter ocorrido" o acesso de Adélio às dependências da Câmara naquele dia. De fato, Adélio foi preso pela Polícia Federal instantes após o atentado, em Juiz de Fora, sendo impossível sua passagem pelo prédio no horário indicado no suposto registro.
Paul Pierre Deeter explicou, no ofício, que uma ocorrência policial havia sido aberta para investigar as circunstâncias nas quais se deram os registros.
No dia 19, a Polícia Legislativa da Câmara concluiu que os registros decorreram de equívoco do recepcionista da portaria onde se acessa o sistema de identificação de visitantes.
A Câmara dos Deputados explicou que o recepcionista acessou o sistema por volta das 18 horas do dia 6 de setembro para verificar se Adélio Bispo já havia estado no local. A iniciativa teria sido tomada em função da grande repercussão do caso na imprensa.
O funcionário identificou dois registros de entrada de Adélio no dia 6 de agosto de 2013. Na tentativa de atualizar o cadastro do visitante, o recepcionista acabou efetuando equivocadamente dois novos registros de entrada. Isso porque o sistema utilizado na época não permitia fazer inserção de dados sem o registro de nova entrada de visitante.
Ao Estadão/Broadcast, o então diretor da Polícia Legislativa da Câmara explicou que não houve má-fé neste caso, porque há o registro de que o recepcionista acionou seus superiores imediatamente para relatar o ocorrido. Como o sistema usado é antigo, o dado não pôde ser apagado e acabou permanecendo. A investigação não evoluiu para um inquérito e já foi arquivada.
Polícia Federal concluiu em dois inquéritos que Adélio Bispo agiu sozinho
Em 2018, a Polícia Federal finalizou o primeiro inquérito sobre a facada, e concluiu que Adélio agiu sozinho por "inconformismo político". Em 2020, a PF concluiu um segundo inquérito sobre o caso que descartou a hipótese de que o crime tivesse ligação com "agremiações partidárias, facções criminosas, grupos terroristas ou paramilitares".
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