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'Protocolo' com vitaminas e própolis verde contra gripe H3N2 não tem embasamento científico

VACINAÇÃO É FORMA MAIS EFICAZ DE PREVENÇÃO, SEGUNDO O MINISTÉRIO DA SAÚDE E ESPECIALISTAS CONSULTADOS PELA REPORTAGEM

6 abr 2026 - 16h06
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O que estão compartilhando: vídeo indica um "protocolo" contra a gripe H3N2 para fortalecer o sistema imunológico e acelerar a recuperação. O conteúdo recomenda tomar vitaminas C e D, própolis verde, acetilcisteína e um remédio contra infecções bacterianas.

Protocolos sem comprovação científica, como o do vídeo, podem levar a eventos adversos.
Protocolos sem comprovação científica, como o do vídeo, podem levar a eventos adversos.
Foto: Reprodução/Instagram / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. Os ingredientes citados no vídeo não constam nas diretrizes oficiais do Ministério da Saúde para prevenção ou tratamento da infecção causada pela gripe. Especialistas consultados pela reportagem afirmam que protocolos sem comprovação científica, como o do vídeo, podem levar a eventos adversos, além de não oferecerem nenhum efeito benéfico para a saúde. A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção contra a gripe e suas complicações.

O autor do vídeo foi procurado, mas não respondeu.

Saiba mais: O vídeo analisado aqui foi publicado no dia 27 de março deste ano. Ele começa dizendo que a gripe H3N2 (causada pelo vírus influenza A) aumentou hospitalizações em 85%. Mas isso não é verdade. Na verdade, uma pesquisa mostrou aumento nas internações por síndrome respiratória, sem especificar qual o vírus responsável pela alta.

O levantamento se referia às internações registradas em junho do ano passado, incluindo tosse por pneumonia, viroses respiratórias em geral (como gripe e covid-19) e crises de asma.

A pesquisa foi realizada pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios de São Paulo (Sindhosp). Consultado pelo Estadão na época, o presidente do sindicato afirmou que o aumento das internações e dos atendimentos devia-se em grande medida ao baixo índice de vacinação contra o vírus influenza, causador da gripe.

Mesmo que o vídeo tenha errado nesse ponto, é importante destacar que o número de casos de influenza A tem sim aumentando no País. De acordo com o Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mais recente, nas regiões Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sudeste a maioria dos Estados está em alerta para o aumento de pacientes com síndrome respiratória.

De acordo com a Fiocruz, esse cenário torna a vacinação ainda mais importante. A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começou em 28 de março nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. A ação segue até 30 de maio, com imunização gratuita nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Não há comprovação de que 'protocolo' previna contra gripe ou acelere a recuperação

O protocolo para adultos divulgado no vídeo consiste em tomar vitamina C, vitamina D, acetilcisteína, própolis verde e Broncho-Vaxom por 7 dias.

Mas nenhuma dessas substâncias é citada nos protocolos oficiais de tratamento de influenza, como explica a médica infectologista Adriana Coracini Tonacio de Proença, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e membro do subcomitê de imunizações da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

O Ministério da Saúde segue o Protocolo de Tratamento de Influenza de 2017. São indicados medicamentos antivirais a serem ministrados preferencialmente nas primeiras 48h após o início dos sintomas. Tudo isso com acompanhamento médico.

A infectologista Adriana afirma que o protocolo descrito no Instagram carece de embasamento científico. "Não existem estudos com nenhum desses componentes para avaliar a eficácia deles para prevenção ou tratamento de influenza", explicou.

A médica adverte que tomar substâncias não estudadas para determinada finalidade pode levar a eventos adversos, além de não trazer nenhum efeito benéfico para a saúde.

Tomar vitaminas sem necessidade pode levar a reações graves

A reposição de vitaminas, como a C e a D, só é indicada quando há falta delas no organismo, de acordo com a professora associada de Infectologia do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM-Unicamp) Raquel Stucchi.

Tomar esses compostos sem que haja necessidade, além de não ajudar o sistema imune a proteger contra qualquer infecção, pode causar reações adversas graves, segundo a professora. Inclusive, pode afetar órgãos por excesso de vitamina.

Stucchi explica que o excesso de vitamina C pode causar diarreia, vômitos, náuseas e dor abdominal. O excesso de vitamina D também pode causar todos esses sintomas, além de confusão mental, hipertensão arterial, arritmia cardíaca e insuficiência renal.

A professora da Unicamp esclarece que o que vai realmente evitar ou diminuir a chance de infecções graves é a vacina. É por meio dela que o organismo produz as células de defesa contra o vírus que está circulando.

Estadão
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