Não há registro de que Onyx tenha recebido Pix do 'Careca do INSS'
EX-MINISTRO DA PREVIDÊNCIA É MENCIONADO EM INVESTIGAÇÃO POR TER RECEBIDO DOAÇÃO DE FELIPE GOMES, EX-PRESIDENTE DE ENTIDADE SUSPEITA DE FRAUDES EM APOSENTADORIAS; POLÍTICO NEGA CONHECER DOADOR
O que estão compartilhando: que Onyx Lorenzoni, ministro do Trabalho e da Previdência Social durante o governo Bolsonaro, recebeu dinheiro via Pix do "Careca do INSS" para campanha.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. O nome de Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", não aparece entre os doadores da campanha de Onyx. O ex-ministro é mencionado nas investigações da Polícia Federal sobre golpes contra aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) por ter recebido uma doação de R$ 60 mil para a campanha ao governo do Rio Grande do Sul, em 2022. A transferência do valor foi realizada por Felipe Macedo Gomes, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), uma das entidades investigadas pela PF. O ex-ministro afirma não conhecer o doador.
A reportagem informou que a entidade e o INSS discutiram o acordo de cooperação técnica que permitiu descontos sobre aposentadorias em março de 2022, quando Onyx era ministro. O acordo foi oficializado em agosto, quando ele já estava em campanha para o governo. A doação ocorreu em setembro.
Como noticiado pelo Estadão, a menção ao ex-ministro foi um dos motivos que levaram a Polícia Federal a remeter a investigação das fraudes ao Supremo Tribunal Federal (STF) na última semana.
Ao jornal, o ex-ministro afirmou que não pediu a doação e que não sabe quem é Felipe. Acrescentou que, como ministro, não tinha poder discricionário para autorizar acordos de cooperação técnica do INSS. Felipe não foi localizado pelo Verifica.
Quem é o 'Careca do INSS'?
Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", é apontado pela PF como o principal operador financeiro do esquema de fraudes. Ele é suspeito de ter repassado R$ 9,3 milhões a servidores do INSS suspeitos de corrupção.
A investigação apontou que ele teria atuado como consultor para entidades que firmaram acordos de cooperação técnica com o INSS. A juíza Luciana Raquel de Moura, da 7ª Vara Federal do Distrito Federal, congelou bens móveis e imóveis de oito empresas e nove pessoas físicas, incluindo Antônio Carlos Camilo.
A reportagem procurou os advogados Alberto Moreira e Flávio Schegerin, que defendem o empresário, mas não houve retorno até o momento. Anteriormente, ao Estadão, eles afirmaram que as acusações "não correspondem à realidade dos fatos" e que a inocência de Antônio Camilo será comprovada ao final da investigação.
Post omite que fraude no INSS envolve 11 entidades, não só sindicato dirigido por irmão de Lula
Fraudes no INSS divulgadas até o momento não somam R$ 150 bilhões, ao contrário do que diz post
Guerra de narrativas
O post aqui checado foi publicado no Instagram por uma conta de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Uma legenda sobre o vídeo cita que o o "Careca do INSS" doou para a campanha de Jair Bolsonaro.
De fato, como mostrado pelo Verifica, Antônio Carlos doou R$1 à campanha bolsonarista em 2022. O ex-presidente, contudo, não foi alvo da operação relacionada ao INSS e não foi citado na investigação até o momento.
A publicação enganosa afirma que, em 2019, Jair Bolsonaro "abriu a porta para um roubo histórico contra os aposentados". Desde que a Operação Sem Desconto foi deflagrada, em abril, alegações falsas e enganosas começaram a circular nas redes sociais em uma guerra de narrativas entre bolsonaristas e apoiadores do atual presidente sobre quem é o responsável pela fraude.
Como explicado pelo Verifica, não é possível afirmar que a fraude teve início em 2019, no governo Bolsonaro. O relatório da CGU sobre o esquema fraudulento mostra descontos em aposentadorias e pensões entre janeiro de 2016 e maio de 2024, ou seja, ao longo de parte do último ano do governo Dilma Rousseff e de toda a gestão de Michel Temer.