Falso vídeo feito com inteligência artificial mostra Lula sendo preso ao queimar provas
PEÇA SIMULA DECLARAÇÕES DE UM COMENTARISTA POLÍTICO; ACUSAÇÕES NÃO TÊM CONEXÃO COM A REALIDADE
O que estão compartilhando: que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi fotografado em frente a uma lareira destruindo provas de corrupção, como pagamento de propina, evasão fiscal e lavagem de dinheiro. Vídeo diz ainda que 40% dos documentos que teriam sido queimados foram recuperados com "técnicas forenses", o suficiente para construir um "caso sólido" que resultou na prisão dele.
O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. Ferramentas detectaram uso de inteligência artificial tanto na criação do vídeo quanto do áudio. O vídeo menciona uma operação da Polícia Federal que teria resultado na prisão do presidente Lula - sem qualquer evidência de conexão com a realidade.
Dentre os elementos irreais citados no vídeo estão a suposta prisão do presidente no início da manhã, uma entrevista coletiva do procurador-geral da República sobre o caso e, ainda, a alegação de que Lula vivia no Palácio da Alvorada por "cortesia", já que não é mais presidente.
É possível apontar ainda mais uma inconsistência. O vídeo diz que, entre os documentos recuperados pela polícia, haveria um "contrato assinado por Lula e CEO de empreiteira gigante, datado de 2018, estipulando pagamento de R$ 32 milhões" e que seria "propina por contrato de construção de rodovia federal". Em 2018, o presidente era Michel Temer, não Lula.
Saiba mais: O perfil no Facebook que publicou o conteúdo viral costuma postar outros vídeos gerados por inteligência artificial com histórias fantasiosas. Apesar disso, o canal se apresenta como "página focada em notícias de política". Não há nenhum indicativo de que o conteúdo é gerado com IA.
O vídeo mostra uma pessoa com características de comentarista de política ou telejornal. Trata-se de uma tática utilizada para dar credibilidade ao conteúdo.
Lula foi preso duas vezes, nenhuma delas recentemente. Em 1980, foi preso pela ditadura militar e indiciado na Lei de Segurança Nacional por liderar grevistas no ABC paulista. Ele também foi preso em 2018, por condenações em segunda instância em conexão com a operação Lava Jato. As condenações foram anuladas.
Indícios de artificialidade
O vídeo de pouco mais de três minutos tem fala robótica do narrado e com pausas artificiais, indícios de que foi feito a partir de ferramentas de inteligência artificial. As palavras "rodovia federal", por exemplo, são ditas aos 46 segundos de forma excessivamente pausada, como se cada uma fizesse parte de uma frase diferente. Já a palavra "então" é usada para iniciar quase todas as frases, também de maneira artificial e pouco fluida.
Além disso, as expressões faciais do narrador não são naturais. O Verifica submeteu o vídeo a duas ferramentas para detecção do uso de inteligência artificial: o SynthID, que aponta conteúdos feitos com as ferramentas de IA do Google, e a Hiya, que detecta uso de inteligência artificial em áudios. Ambas sinalizaram o conteúdo como sintético.
Ao analisar o áudio, a Hiya apontou 98% de probabilidade de que o conteúdo tenha sido criado artificialmente.
O SynthID confirmou o uso da inteligência artificial e mostrou que o vídeo foi feito usando ferramentas do Google.
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