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Checagem diminui circulação de conteúdo falso e muda comportamento de usuários, diz pesquisa

SEGUNDO A ECONOMISTA FRANCESA JULIA CAGÉ, ESTUDO DEMONSTRA QUE MAIORIA DOS CIDADÃOS NÃO COMPARTILHA DESINFORMAÇÃO DE PROPÓSITO E QUE CHECAGENS IMPACTAM POSITIVAMENTE NESSE COMPORTAMENTO

19 jan 2026 - 05h16
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Pesquisadores da França e da Bélgica acompanharam ao longo de 18 meses a produção feita por jornalistas de checagens sobre postagens falsas e enganosas que circulavam no Facebook e descobriram um resultado positivo. A verificação não apenas diminuiu a circulação de desinformação, como também mudou o comportamento de usuários, que passaram a compartilhar menos conteúdo mentiroso.

De acordo com a pesquisa, a circulação dos conteúdos checados pelos jornalistas caiu 8%. Já o engajamento de postagens classificadas como falsas teve queda de 9%.

Esses resultados estão descritos no estudo "Verificação de fatos e desinformação: evidências do líder de mercado", elaborado por pesquisadores do Departamento de Economia do Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences Po), na França, e da Universidade de Liège, na Bélgica, a partir de dados fornecidos pela AFP Factuel, a unidade de verificação de fatos da agência de notícias AFP na França.

Assim como o Estadão Verifica, a AFP é uma das parceiras do programa de checagem da Meta, empresa que é dona do Facebook. Por meio desse programa, a equipe tem acesso a uma lista de postagens potencialmente falsas e pode checar se essas publicações desinformam ou não.

A partir da conclusão dos jornalistas, a Meta toma a atitude que considera necessária. Se o conteúdo for falso, a plataforma reduz o alcance de sua circulação. Usuários da rede social e administradores de páginas recebem notificações se tiverem publicado ou compartilhado postagens marcadas como falsas. Um aviso também é enviado a quem quiser postar um conteúdo que tiver sido sinalizado como inverídico anteriormente.

Segundo a pesquisa, parte da redução observada na circulação dos conteúdos checados pode ser atribuída ao programa da Meta, embora a plataforma não divulgue os mecanismos utilizados para implementar essa redução.

No entanto, os pesquisadores identificaram que também existem respostas comportamentais claras dos usuários no caso das postagens rotuladas como falsas. Os dados sugerem que a verificação de fatos desperta preocupações nessas pessoas, e as leva a remover voluntariamente o conteúdo sinalizado.

"Acho que uma das principais lições que podem ser tiradas do nosso estudo é o fato de que a maioria dos cidadãos não compartilha notícias falsas de propósito e, quando percebe que o fez, muda seu comportamento para ser mais cuidadoso no futuro", afirmou ao Estadão Verifica a economista Julia Cagé, professora do SciencesPo e uma das autoras do estudo.

Ao rastrear as contas mais ativas dentre as que fizeram publicações desmentidas pela AFP, os pesquisadores perceberam que elas diminuíram o número de postagens sobre outros conteúdos desinformativos nas duas semanas seguintes.

Para Cagé, essa descoberta é importante ao demonstrar que, ao contrário do que afirmam aqueles que atacam a verificação de fatos, ela não é percebida pelos cidadãos como uma redução da liberdade de expressão.

"Os cidadãos não querem ser 'livres' para divulgar desinformação. Pelo contrário, quando percebem que fizeram isso, mudam seu comportamento", observou.

Estudo aponta que checagem não restringe liberdade de expressão

Em janeiro de 2025, a Meta anunciou o fim do programa de checagem de fatos nos Estados Unidos. Em outros países, como no Brasil, a iniciativa ainda está em operação. À época do anúncio, a empresa citou preocupações com potenciais ameaças à liberdade de expressão.

Mas os resultados da pesquisa contrariam a alegação da Meta. O levantamento demonstra que o impacto da verificação não resulta especialmente das ações do Facebook em ocultar ou rebaixar conteúdos sinalizados, mas sim das respostas comportamentais dos usuários.

O monitoramento indicou que usuários excluem postagens sinalizadas como falsas por verificadores de fatos e que se tornam mais cautelosos nos próximos compartilhamentos.

"Em vez de restringir a liberdade de expressão, a verificação de fatos parece incentivar os usuários a expressarem suas opiniões de forma mais responsável e aumenta o foco deles em questões de reputação", diz o artigo.

Checadores têm dificuldade em mudar convicções fortes

O estudo também aponta que o momento da publicação da verificação de fatos é importante. Quando a checagem é publicada em até dois dias após a reunião de pauta em que se decidiu produzi-la, a redução no engajamento chega a 11%. Em contraste, verificações de fatos concluídas após mais de dois dias não apresentam efeito estatisticamente significativo.

Outro ponto observado é a variação por tema. Quando os usuários têm convicções muito fortes sobre um tema, como vacinas ou mudanças climáticas, as checagens costumam ser menos eficazes. Por outro lado, quando um assunto é novo, a verificação tem mais sucesso.

"Em temas mais recentes, as pessoas não sabem o que é verdade ou o que é falso e, quando percebem que estavam compartilhando notícias falsas, mudam de ideia e param de compartilhá-las".

Os dados foram coletados ao longo de 18 meses, entre dezembro de 2021 e junho de 2023, a partir de checagens propostas pelos jornalistas da AFP na França. Algumas foram verificadas, enquanto outras, apesar de semelhantes, foram descartadas por motivos diversos, como, por exemplo, falta de tempo da equipe de produzi-la.

A ideia, explica Cagé, era comparar a evolução da circulação de duas "notícias" falsas semelhantes. O conjunto de dados incluiu 944 conteúdos - com informações sobre origem e sobre assunto - dos quais 558 foram verificadas pela AFP Factuel.

Estadão
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