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Aloe vera não cura câncer, ao contrário do que diz postagem

ATÉ O MOMENTO, NÃO HÁ EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS DE QUE UMA PLANTA ISOLADA POSSA REVERTER CRESCIMENTO DE TUMORES

30 jul 2025 - 16h22
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O que estão compartilhando: que receitas caseiras com aloe vera, planta também conhecida como babosa, são capazes de reverter quadros de câncer.

Não existem evidências científicas mostrando que receitas com aloe vera revertem quadros de câncer.FOTO EPITACIO PESSOA/ESTADAO
Não existem evidências científicas mostrando que receitas com aloe vera revertem quadros de câncer.FOTO EPITACIO PESSOA/ESTADAO
Foto: Epitacio Pessoa/Estadão / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é falso. Não existem evidências científicas de que receitas com aloe vera possam curar qualquer tipo de câncer, como confirmam sociedades médicas e especialistas ouvidos pelo Verifica. Na realidade, nenhuma planta é capaz, isoladamente, de curar tumores. A babosa tem propriedades conhecidas em outras áreas da medicina, como no cuidado com a pele ou como anti-inflamatório leve.

Postagem cita livro não reconhecido pela ciência

A postagem do Instagram analisada aqui afirma que uma mulher de 80 anos teria sido curada do câncer de ovário em 28 dias com o uso da babosa. O post não identifica a mulher. O Verifica não conseguiu confirmar a veracidade do relato em estudos científicos, nem em notícias da imprensa.

A postagem cita como referência o livro O Câncer Tem Cura, escrito pelo frei Romano Zago. A publicação afirma que Zago teria desenvolvido um protocolo caseiro com aloe vera, mel e aguardente, e registrado resultados contra o câncer.

A oncologista clínica Sabrina Chagas, integrante do Comitê de Cuidados aos Sobreviventes da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), explica que esse livro não é reconhecido como fonte confiável pela comunidade científica, nem pela SBOC.

"Trata-se de um material baseado em experiências pessoais, sem validação científica", disse.

De acordo com a oncologista, o protocolo caseiro proposto no livro não tem respaldo de estudos clínicos rigorosos ou aprovação de agências regulatórias ou das comunidades científicas na oncologia.

Não há evidências confiáveis suficientes para garantir a eficácia da aloe vera contra o câncer

Embora a aloe vera tenha sido testada em algumas pesquisas contra diferentes tipos de câncer, os pesquisadores não encontraram provas suficientes de que a planta é eficaz contra tumores. Ou seja, não há evidências de que ela funcione, como confirmam sociedades médicas e especialistas ouvidos pelo Verifica.

A organização britânica Cancer Research UK, dedicada a reunir informações sobre a doença, alerta que a babosa pode inclusive causar efeitos adversos. Segundo os pesquisadores, a forma líquida ou em cápsulas dessa planta pode causar diarreia, erupção cutânea ou dor de estômago em algumas pessoas.

A Fundação contra o Câncer da Bélgica afirma que alguns estudos limitados indicam que a babosa pode reduzir os efeitos colaterais dos tratamentos de radiação. O gel de aloe vera pode ser usado para tratar problemas de pele e inflamações da mucosa oral causados pela radiação.

Nenhuma planta ou alimento pode, isoladamente, prevenir ou curar o câncer

Nenhum alimento isoladamente tem o poder de prevenir qualquer tipo de câncer, segundo Luciana Grucci Maya Moreira, da Área Técnica de Alimentação, Nutrição, Atividade Física e Câncer da Coordenação de Prevenção e Vigilância do Instituto Nacional do Câncer (Conprev/Inca).

A especialista explica que, para a prevenção de câncer, mais do que alimentos específicos ou nutrientes isolados, a recomendação do Inca é ter uma alimentação saudável baseada em alimentos de origem vegetal, in natura e minimamente processados como frutas e hortaliças, feijões, cereais integrais, oleaginosas.

"Além disso, deve-se limitar o consumo de carnes vermelhas a 500 gramas por semana e evitar as carnes processadas, os alimentos e bebidas ultraprocessados e os alimentos do tipo fast food", completou.

De acordo com Moreira, a alimentação saudável contribui na prevenção e auxilia no tratamento do câncer, além de ser essencial para a manutenção do peso corporal dentro dos limites da normalidade.

A oncologista Sabrina Chagas destaca a importância de pacientes oncológicos sempre consultarem seus médicos e não abandonarem os tratamentos convencionais, que são baseados em evidências científicas, constantemente atualizados e aprovados por órgãos reguladores.

"Entendemos o desejo por soluções naturais ou alternativas, e sabemos que algumas práticas complementares - como acupuntura, suporte nutricional e meditação - podem sim contribuir para a melhora da qualidade de vida e para o manejo de sintomas", completou.

A oncologista reforça que o câncer não é uma doença única, mas um conjunto complexo de mais de 100 tipos diferentes de doenças, com comportamentos e tratamentos distintos.

"Por isso, não há, até o momento, nenhuma substância isolada, natural ou sintética, que seja capaz de curar todos os cânceres", afirmou.

Estadão
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