Carros do futuro não terão telas convencionais; entenda o porquê
Protótipos de Alfa Romeo, Porsche e Omoda sinalizam mudança de rumo e valorizam botões físicos na cabine
Em resposta à insatisfação dos motoristas com o excesso de comandos em telas sensíveis ao toque, montadoras começam a rever o minimalismo extremo nas cabines. Fabricantes como Alfa Romeo, Porsche e Chery têm apresentado carros-conceito que resgatam botões físicos essenciais e propõem a eliminação ou redução drástica dos visores convencionais de infoentretenimento, priorizando a segurança e a usabilidade com soluções mais funcionais, como suportes de celular e projeções discretas ao dirigir.
Não sei se você já percebeu, mas os botões físicos estão sumindo das cabines dos carros e sendo substituídos integralmente por telas. E essa experiência de aprender do zero a mexer em funções básicas do carro pelo touch screen é cansativa e, muitas vezes, irritante.
Um grande exemplo é o Leapmotor C10, que não possui praticamente nenhum comando físico, tornando necessário utilizar o visor central para tudo. Mas é tudo mesmo. Funções simples como ajustar os retrovisores, abrir o teto solar e até mesmo a abertura do porta-malas estão acumuladas na central multimídia. E a chave, que na verdade é um cartão, piora ainda mais o convívio diário com o modelo — mas isso é pauta para outro texto.
Esse minimalismo extremo se popularizou em veículos da Tesla e agora é utilizado por muitas outras fabricantes, sobretudo as chinesas. Entretanto, essa tendência começou a cair no desgosto de parte dos consumidores, que pedem o retorno dos comandos fora da tela.
As críticas, ao que parece, vêm surtindo efeito nos recentes carros-conceito apresentados pela indústria. Algumas fabricantes estão dispostas a ir além: apostar no radicalismo e, pasme, abolir as telas de vez.
Alfa Romeo vai "se livrar das telas"
A Alfa Romeo abraçou esse novo conceito de retorno dos botões e menos telas na cabine. Durante o Salão do Automóvel de Paris, a fabricante italiana do Grupo Stellantis apresentou o conceito Cuorerosso, com um layout interno bem diferente do que vemos atualmente.
O projeto da marca parece ir por um caminho ainda mais extremo. Em entrevista ao portal britânico Autocar, o chefe de design da Alfa Romeo, Alejandro Mesonero-Romanos, contou que pretende "se livrar das telas" — ou pelo menos do modo tradicional que as conhecemos.
"As telas são legais quando você está sentado no carro, mas quando você está dirigindo, não estou convencido. Estamos numa espécie de guerra de centímetros para as telas e, para mim, isso não faz sentido nenhum, porque elas ficam enormes. Basicamente, estão projetando o painel de instrumentos para você."
Nesse novo conceito, a marca trouxe uma nova interpretação do uso de telas na cabine, chamada "Cannocchiale", que, na tradução literal, significa "telescópio". À frente do motorista, há duas cúpulas redondas que mostram as informações mais importantes sobre o veículo e podem se integrar conforme o modo de condução selecionado.
No modo urbano, as telas se mantêm separadas e exibem informações de instrumentos e também de navegação. Conforme o motorista seleciona modos de condução mais esportivos, a exibição se simplifica e apresenta apenas os dados essenciais.
Segundo Mesonero-Romanos, "a abordagem de instrumento dividido proporciona maior flexibilidade, o que pode tornar redundante uma tela sensível ao toque central convencional".
O executivo ainda provocou o próprio consumidor, dizendo que sabe que grande parte do público quer telas, mas que há pessoas por aí que pensam como a marca: "Sei que grande parte do público quer telas grandes, mas então não comprem um Alfa, comprem outra coisa."
Outro conceito fundamental do novo Cuorerosso está no seu console central. Ele mantém botões físicos para controles simples, como acionamento e funções do ar-condicionado, além de uma pequena projeção que pode exibir a música e também o GPS.
"Tudo funciona como uma tela, mas não é uma tela convencional. É um suporte para os comandos físicos, com uma parte que funciona como uma tela de verdade, como a de um telefone. Ela tem uma película por cima que não atrapalha: você consegue ver através dela e ela fica escondida quando não é necessária. Você pode desligá-la", contou Alejandro.
Alfa Romeo não é a única
Há outros exemplos recentes que também apontam para essa mudança. O primeiro é o mais novo conceito superesportivo da Porsche, o Mission S, que foi apresentado sem uma tela central de infoentretenimento, apenas com um esquema com MagSafe para prender o celular e utilizá-lo na hora da navegação.
Outro exemplo que vale ser citado é o conceito Omoda X, apresentado pela submarca do Grupo Chery Internacional. Apesar de trazer a receita chinesa com duas telas na cabine, o modelo já conta com mais botões físicos para funções simples, como ar-condicionado e modos de condução.
Apesar de parecer um movimento bem ousado, esses modelos conceito demonstram um possível caminho para o fim do fatídico minimalismo extremo dentro dos carros — pelo menos em algumas fabricantes.
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.