Diretor da Quaest elenca três fluxos que podem definir eleição e diz que Lula precisa repetir Dilma para ter chance de virada
Felipe Nunes aponta brancos, nulos e ausentes como principal oportunidade para virada de Lula sobre Flávio Bolsonaro
O diretor da Quaest, Felipe Nunes, aponta três movimentos do eleitorado que podem definir o resultado das eleições, entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), no próximo domingo, 25. Segundo o pesquisador, a principal possibilidade de virada para o petista está entre os eleitores que faltaram às urnas ou votaram em branco ou nulo no primeiro turno. O cenário é parecido ao de 2014, quando Dilma Rousseff (PT) reverteu a desvantagem contra Aécio Neves (PSDB).
Em artigo publicado no jornal O Globo, Nunes afirmou que Lula e Flávio continuam tecnicamente empatados. Pelas estimativas da Quaest o candidato do PL tem entre 43% e 47% das intenções de voto, enquanto o petista aparece com uma faixa de 42% a 46%.
A disputa pode seguir dois caminhos já observados em eleições anteriores: Em 2022, Jair Bolsonaro (PL) começou o segundo turno atrás de Lula nas pesquisas e não conseguiu virar o resultado. Já em 2014, Dilma iniciou a etapa final da eleição em desvantagem e conseguiu superar Aécio nos últimos dias de campanha.
“É nesse terceiro grupo que está a principal chance de virada”, escreveu Nunes, ao se referir aos eleitores que não votaram em nenhum dos candidatos que chegaram ao segundo turno.
Segundo o diretor da Quaest, o resultado dependerá da capacidade de cada candidato de manter seus eleitores, conquistar votos de adversários e atrair pessoas que não escolheram um dos atuais concorrentes no primeiro turno. Esses eleitores podem ser divididos em três grupos, segundo ele.
Eleitores que mudam de lado
O primeiro fluxo envolve os eleitores que podem abandonar o candidato que foi escolhido no primeiro turno, e migrar para o adversário, mas essa é uma minoria, segundo Nunes. Segundo os dados da Quaest, a transferência de votos entre os candidatos está equilibrada, já que Lula mantém 95% dos eleitores, e Flávio, 94%.
O diretor também lembrou que, em 2022, as pesquisas da Quaest indicaram que Bolsonaro atraiu cerca de 2% dos eleitores que haviam votado em Lula na primeira etapa da eleição. Na disputa atual, segundo ele, ainda não há sinais de uma movimentação expressiva de votos de um candidato para o outro.
Eleitores de outros candidatos votam em quem?
O segundo grupo é formado por eleitores que votaram em Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) ou Romeu Zema (Novo) no primeiro turno. Entre eles, 43% afirmam que pretendem votar em Flávio Bolsonaro, enquanto 37% dizem que escolherão Lula.
Para o pesquisador, a distribuição atual desses votos favorece Flávio, e a pesquisa não indica uma mudança expressiva nessa tendência na reta final da campanha. Por isso, o diretor da Quaest não vê nesse grupo a principal oportunidade para reverter o cenário.
Votos brancos, nulos e ausentes
O terceiro fluxo reúne pessoas que não compareceram às urnas no primeiro turno ou optaram por votar em branco ou nulo. Na avaliação de Nunes, esse é o grupo com maior potencial para alterar o equilíbrio da disputa presidencial.
Entre os eleitores que afirmam ter faltado ou votado branco ou nulo na primeira etapa, 40% dizem que pretendem votar em Lula no segundo turno, diante de 36% que declaram intenção de voto em Flávio.
Esse segmento tende a apresentar características demográficas mais próximas da base eleitoral petista, como menor escolaridade, idade mais elevada e maioria feminina. A eventual participação desses eleitores, portanto, poderia beneficiar Lula.
No entanto, não é esperada uma queda na abstenção tão expressiva a ponto de, sozinha, provocar uma virada. A possibilidade estaria também na conversão de votos brancos e nulos em votos válidos para o candidato petista.
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