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Carro por assinatura vale a pena? Localiza aponta que economia pode chegar a 90% sobre a compra

Em painel no ABX26 mediado pelo Jornal do Carro, Localiza aponta que juros altos, desvalorização e isenção de custos tornam a modalidade mais barata que a compra tradicional

5 out 2026 - 05h41
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Resumo
O mercado de carros por assinatura cresce no Brasil, saltando de 80 mil para 300 mil veículos em cinco anos, impulsionado pela busca por menos burocracia e custos fixos. Embora o público médio tenha mais de 35 anos, contratos mais flexíveis miram os jovens. O modelo também impulsiona a adesão a veículos elétricos e híbridos ao mitigar riscos de desvalorização e manutenção para o usuário. Apesar do desconhecimento cultural do serviço, o setor segue em expansão sob o impacto dos juros.

Há alguns anos, o carro por assinatura surgiu como uma opção para quem não quer ter um veículo, mas precisa dele no dia a dia. Após o entusiasmo inicial, esse mercado passa por um crescimento mais próximo às mudanças de hábito dos motoristas do Brasil.

Foi sobre isso que conversaram Bruno Saliba, head de produtos e operações da Localiza Assinaturas, e Isadora Carvalho, editora do Jornal do Carro, em painel Automotive Business Experience - ABX26, evento que reuniu 4 mil lideranças do setor automotivo em São Paulo na quinta-feira, 1º.

Números da Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla) comprovam essa guinada: nos últimos cinco anos, a frota nacional do setor saltou de 80 mil para mais de 300 mil veículos. Segundo Saliba, quem migra para o serviço busca eliminar burocracias e despesas fixas da rotina, como IPVA, licenciamento obrigatório, revisões e a inevitável perda de valor do bem.

Novas gerações e contratos de carros por assinatura mais curtos

O perfil predominante de clientes ainda é formado por condutores acima de 35 anos e de maior poder aquisitivo. Na Localiza, o contrato médio dura cerca de 33 meses, com mensalidade acima de R$ 3 mil.

Para fisgar o público jovem, que rejeita amarras contratuais prolongadas e altos valores de entrada, a empresa apostou no Localiza Flex. O produto adota mensalidades mais enxutas e reduz a quase zero a taxa de rescisão antecipada, funcionando como porta de entrada para quem prioriza o uso sobre a posse. Tanto é que menos de 0,5% da base opta por arrematar o veículo em definitivo no encerramento do contrato.

Apesar da alta, a categoria ainda enfrenta um desafio cultural. "Uma das maiores dores no carro por assinatura é o desconhecimento deste modelo de uso", alertou Saliba, destacando que boa parte dos motoristas ainda não domina o funcionamento real das mensalidades.

Eletrificação e o reflexo dos juros

A expansão dos modelos híbridos e elétricos desponta como outra alavanca do setor. Diante das incertezas do consumidor sobre o valor de revenda e os custos de manutenção das novas tecnologias, a assinatura virou uma alternativa de experimentação segura, transferindo o risco de desvalorização para a locadora.

Por fim, o executivo ponderou a influência da política monetária no negócio. Embora os juros altos impulsionem a assinatura ao encarecer os financiamentos, um eventual ciclo de corte na Selic barateia a captação de recursos das locadoras para renovação de frota — ganho de escala que é repassado aos planos, mesmo com o crédito tradicional voltando a competir pelo consumidor.

Estadão
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