Pressionado por protestos, Pedro Sánchez convoca eleições legislativas antecipadas na Espanha
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou nesta segunda-feira (5) a convocação de eleições antecipadas para 29 de novembro, três dias após a rejeição das medidas de seu governo para enfrentar a crise habitacional.
Pressionado por intensos protestos contra a crise de moradia, derrotas parlamentares e escândalos de corrupção, o premiê espanhol Pedro Sánchez antecipou as eleições legislativas previstas para 2027. O líder socialista busca ampliar sua base governista para aprovar reformas sociais urgentes, enquanto as pesquisas apontam a liderança do opositor Partido Popular (PP), que pode precisar se aliar à extrema direita para formar maioria e pôr fim a oito anos de mandato socialista.
O premiê está sob pressão desde o início dos protestos que tomaram conta do país após o despejo da idosa Maricarmen Abascal, 87, em 23 de setembro. Ela não podia mais pagar o aluguel do apartamento onde vivia havia mais de 70 anos e se tornou um símbolo da crise de moradia que afeta o país.
As próximas eleições legislativas estavam inicialmente previstas para 2027. Em um pronunciamento solene feito a partir do Palácio da Moncloa, sua residência oficial, Sánchez disse que um Conselho de Ministros extraordinário será convocado nesta segunda-feira.
"Para levar adiante as reformas pendentes de que precisamos, devemos nos mobilizar e obter do Parlamento uma maioria muito mais ampla e progressista, que nos permita dobrar as elites, conquistar novos avanços sociais e continuar transformando a Espanha", afirmou o líder socialista.
As pesquisas de opinião mais recentes colocam o principal partido conservador de oposição, o Partido Popular (PP), à frente dos socialistas. Mas o PP não obteria maioria absoluta e poderia ser obrigado a negociar com a extrema direita do Vox, terceira força política do país.
"Se oito anos não foram suficientes, por que querer mais quatro?", reagiu nesta segunda-feira o líder do PP, Alberto Núñez Feijóo. Seu partido vinha defendendo a convocação de eleições antecipadas e comemorou o fato de os espanhóis poderem "finalmente" se pronunciar.
"O que está em jogo nas próximas eleições já não é uma simples alternância de poder. Trata-se da necessidade de promover uma reconstrução nacional", acrescentou. Segundo ele, trata-se de uma "escolha entre a corrupção e a decência, entre a decadência e a prosperidade, entre um governo que aspira apenas a sobreviver e um país que pensa em seu futuro".
O anúncio do dirigente socialista, no poder desde 2018, ocorre após a derrota política sofrida na sexta-feira no Congresso, que evidenciou as dificuldades de seu governo de coalizão minoritária para aprovar as propostas do Executivo no Parlamento.
O governo de Sánchez tentou obter a aprovação de um pacote de medidas em meio à onda de protestos desencadeada após o despejo de Maricarmen. O imóvel onde ela vivia foi adquirido por uma empresa de investimentos que pretendia aumentar o aluguel em 275%.
No sábado, dezenas de milhares de pessoas foram às ruas em Madri e em várias cidades espanholas para defender o direito a uma moradia digna. Centenas de manifestantes acampam há mais de uma semana na Puerta del Sol, no centro da capital espanhola, para pressionar por reformas.
Escândalos de corrupção
Após oito anos no poder, Pedro Sánchez também está enfraquecido por escândalos de corrupção envolvendo familiares e pessoas próximas, entre elas sua mulher e colaboradores do Partido Socialista.
Além disso, o líder enfrenta críticas por sua gestão da crise no enclave de Ceuta, no norte da África, onde milhares de migrantes vindos do Marrocos entraram em massa no fim de julho.
A situação nessa fronteira terrestre europeia com a África se deteriorou com muitos migrantes ainda vivendo em acampamentos improvisados, o que provocou tensões e manifestações quase diárias da população local, que exige o retorno à normalidade.
Como em muitos países europeus, a falta de moradias acessíveis é um dos principais problemas sociais da Espanha. Plataformas de aluguel turístico, como o Airbnb, e fundos de investimento são acusados de inflacionar os preços ao comprar imóveis e reduzir a oferta disponível para os moradores.
Com AFP
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