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Calor faz vinícolas francesas elevarem álcool do champanhe

9 set 2026 - 16h36
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Resumo
Devido a ondas de calor recordes na França, que aceleraram o acúmulo de açúcar nas uvas e anteciparam a colheita mais precoce da história, produtores foram autorizados a elevar o teor alcoólico do champanhe para até 15%. Embora a produção deva cair cerca de 50% em relação ao ano anterior, a safra de 2026 promete qualidade excepcional. O cenário reforça a preocupação do setor com os impactos das mudanças climáticas, que devem transformar essas condições atípicas em um novo padrão no futuro.

Altas temperaturas aceleraram acúmulo de açúcar e, assim, a produção natural de álcool nas uvas, forçando muitos produtores a tornar a bebida mais forte. Embora bastante reduzida, safra deve ser de qualidade "excelente".Quem beber o champanhe da safra de 2026 poderá ter uma dor de cabeça mais forte do que o normal. As ondas de calor recorde na França forçaram alguns produtores a aumentar os níveis de álcool, informaram representantes do setor nesta quarta-feira (09/09).

Autoridades francesas permitiram que casas de champanhe produzam espumantes com teor alcoólico de até 15%
Autoridades francesas permitiram que casas de champanhe produzam espumantes com teor alcoólico de até 15%
Foto: DW / Deutsche Welle

As autoridades francesas permitiram que as casas de champanhe produzam seus espumantes com um teor alcoólico de até 15%, um marco histórico para a bebida, geralmente limitado a 13%.

Os viticultores tiveram que realizar a colheita excepcionalmente cedo este ano, pois o calor extremo acelerou o acúmulo de açúcar e, consequentemente, a produção natural de álcool nas uvas, segundo a associação do setor Comité Champagne.

A colheita avançou tão rapidamente que alguns viticultores interromperam suas férias de verão e os trabalhadores sazonais foram convocados antes do previsto, afirmou Maxime Toubart, copresidente do comitê que atua como órgão regulador do setor. "Não estávamos totalmente preparados."

Ainda assim, "a safra já apresenta todas as características para produzir vinhos excelentes, talvez até excepcionais", afirmou em nota a entidade.

As autoridades também permitiram uma flexibilização temporária das rigorosas regras para a produção de vários tipos de queijo, após as ondas de calor queimarem as pastagens.

Mudanças climáticas preocupam produtores

Na França - o segundo maior produtor de vinho do mundo, atrás da Itália - o calor e a seca deste verão intensificaram as preocupações de muitos produtores sobre como lidar com as mudanças climáticas.

A colheita de 2026 foi a mais precoce já registrada na região de Champagne. As primeiras uvas foram colhidas em 6 de agosto e a colheita se generalizou no dia 17 do mesmo mês, duas semanas mais cedo do que em 2025, ano que, segundo a associação, já havia sido considerado precoce.

Devido às mudanças climáticas, "essa colheita atípica provavelmente se tornará a norma em dez a 15 anos", disse Maxime Toubart, copresidente do Comité Champagne. Para ele, isso "deve levar a uma reflexão sobre o champanhe do futuro".

O também copresidente David Chatillon disse que a flexibilização do teor alcoólico afetaria apenas um pequeno número de produtores. "A média após a colheita fica abaixo de 12%", afirmou "Nem todos os viticultores de Champagne ficarão acima desse nível."

O setor vem reduzindo as metas de produção há vários anos, à medida que o consumo global de álcool cai e as incertezas econômicas pressionam a demanda. Os produtores também têm acompanhado o possível impacto das políticas tarifárias dos Estados Unidos.

Produção cai pela metade

O Ministério da Agricultura da França informou nesta segunda-feira que a produção de vinho na região de Champagne deve cair cerca de 50% em relação ao ano anterior. Essa estimativa pode diferir significativamente dos cálculos dos produtores, já que as casas de Champagne podem utilizar vinhos de reserva - guardados de safras mais fartas - para compensar as safras mais fracas.

A maior parte do Champagne é produzida a partir da mistura (assemblage) de vinhos de diferentes safras, o que confere aos produtores maior flexibilidade para lidar com anos de produção ruim.

Embora se espere que os produtores utilizem reservas este ano para compensar a escassez, alguns podem optar por preservar parte desses estoques para misturas futuras. "Alguns produtores podem preferir guardar o vinho de reserva para misturas futuras ou engarrafar um pouco menos", disse Toubart.

"O fato de a qualidade estar excelente torna o rendimento insatisfatório um pouco mais fácil de aceitar", disse Sebastien Debuisson, diretor técnico do Comité Champagne.

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