Presidente de sindicato culpa 'oportunistas' por paralisação em SP
O presidente do Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo (Sindmotoristas – SP), Isao Hosogi, conhecido como Jorginho, convocou uma entrevista coletiva para a manhã desta quarta-feira, com o intuito de esclarecer a paralisação de motoristas e cobradores de ônibus na capital paulista. Ao menos 16 terminais rodoviários das regiões sul, centro, norte e oeste não tiveram seus veículos liberados, deixando a cidade sem boa parte de sua frota de ônibus.
Segundo o sindicato, o movimento é coordenado pela chapa de oposição, que tenta cancelar a eleição sindical agendada para começar nesta quinta-feira, pedindo mais transparência no pleito. Diante da disputa, motoristas e cobradores foram obrigados permanecer nos terminais. De acordo com Hosogi, a paralisação foi encabeçada por um grupo de “oportunistas”.
“Estou surpreso com esse manifesto e sei que uma minoria dissidente desse sindicato está fazendo esse manifesto. Não posso considerar isso como oposição. É um grupo de oportunistas que nunca fez nada pelos trabalhadores e hoje quer ganhar com essa paralisação, enganar os trabalhadores para vencer as eleições que acontecerão amanhã”, afirmou o presidente.
A chapa da oposição entrou com 13 liminares na Justiça para tentar adiar a eleição, mas todas elas foram negadas. O pleito será disputado entre o atual presidente, Isao Hosogi, e seu opositor José Valdevan dos Santos.
Entre as reivindicações, a oposição pede a presença do Ministério Público nas eleições. Hosogi disse que aceita o pedido e acredita que essa transparência dará ainda mais qualidade ao pleito. “Quero pedir para que a imprensa comunique a população, que participe desse pleito, que tem que ser transparente. Essa eleição sempre foi assim, disputada e queremos que o MP, OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) etc., participem desse pleito. Queremos fazer o pleito mais transparente possível”, disse.
Houve também discordância quanto ao número de eleitores que poderiam participar da votação desta quinta-feira. Segundo Hosogi, pelo estatuto, serão 29 mil eleitores, sendo que 23 mil são trabalhadores e 6 mil são aposentados. “O sindicato dá todo direito aos aposentados que contribuíram. Não sei porque falam em três listas de votos”, disse.
No Terminal Santo Amaro, um dos que aderiram à paralisação, motoristas e cobradores aguardavam ordens para voltar às ruas. Um dos trabalhadores chegou a afirmar que a classe estava sendo ameaçada caso tentasse sair do terminal. Hosogi lamentou a situação e disse que os trabalhadores têm direito de exercer sua profissão.
“Esses oportunistas não podem proibir ninguém de trabalhar. Conhecemos nosso adversário. O candidato da chapa 2 cansou de falar que faz parte do crime organizado e tem vídeo fazendo isso. Não quero acreditar nisso. Não podemos aceitar um candidato à presidência ameaçando a diretoria e dizendo que faz parte do crime organizado”, completou.
Segundo o presidente, as urnas serão instaladas à 0h desta quinta-feira. Porém, por conta das paralisações, a segurança foi reforçada. “Soubemos que querem roubar as urnas. Tivemos que contratar mais de 300 seguranças para trabalhar. Eles querem o pleito mais para frente, mas queremos fazer agora porque o sindicado está defasado”.
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