STF condena mandantes e cúmplices do assassinato de Marielle Franco
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou nesta quarta-feira por unanimidade um ex-deputado e outras quatro pessoas por envolvimento no assassinato da vereadora e ativista de direitos humanos Marielle Franco, ocorrido há cerca de oito anos no Rio de Janeiro, junto com seu motorista Anderson Gomes.
A decisão concluiu que o ex-deputado Chiquinho Brazão e seu irmão Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, ordenaram o assassinato de Marielle em 2018 -- crime que gerou indignação generalizada e pedidos de justiça no Brasil e no exterior.
Os quatro ministros da Primeira Turma votaram a favor da condenação, seguindo o voto do relator Alexandre de Moraes. A seguir, os ministros discutirão a dosimetria das penas dos condenados.
O julgamento põe fim a um processo de oito anos até a condenação final dos responsáveis pelo assassinato.
Marielle, de 38 anos, era uma estrela em ascensão no Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Negra, lésbica, progressista e nascida em uma comunidade pobre do Rio, ela se opunha politicamente aos irmãos Brazão.
Rivaldo Barbosa, então chefe da Polícia Civil do Rio, foi condenado por atrapalhar as investigações e receber propina. Outros dois homens foram considerados culpados por facilitar o crime. Os cinco negaram envolvimento durante o julgamento.
Marielle e seu motorista Anderson Gomes foram executados dentro do carro após saírem de um evento na noite de 14 de março de 2018. Os acusados pela execução, Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, ambos ex-policiais, confessaram o crime e cumprem penas de décadas de prisão.
Figuras políticas influentes no Rio de Janeiro, os irmãos Brazão foram presos em 2024 após Lessa e Queiroz fecharem acordos de colaboração com o Ministério Público. Eles ganharam milhões por meio de um esquema que apropriava terras públicas na zona oeste da cidade para projetos imobiliários.