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Rio: fechamento da UPA da Maré reflete em outras unidades

27 set 2011 - 07h38
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ROBERTA TRINDADE

O número de pacientes no Hospital Federal de Bonsucesso (HFB) já aumentou, após o fechamento da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Maré, nesta segunda-feira. A informação é da assessoria de imprensa do hospital, que não especificou o percentual de aumento. A unidade, que passa por obras, está recebendo mais pacientes especialmente na pediatria. Pacientes contaram que aguardaram mais de sete horas.

Médicos do hospital questionaram a decisão de a unidade ter sido indicada como opção após o fechamento da UPA. "Isso é um hospital para atender casos graves, com risco de vida. É um perfil diferente da UPA e vamos ficar sobrecarregados", lamentou um médico, que pediu para não ser identificado.

Na UPA da Ilha, os pacientes estavam com medo de que a unidade ficasse sobrecarregada. "Hoje (segunda-feira) o atendimento é bom, mas com mais pacientes vai complicar", avaliou a aposentada Vânia Gomes, 60 anos. O aparelho de Raio-X e o de exames de sangue estavam quebrados. "Podiam pegar os equipamentos da Maré e colocar aqui", sugeriu Vânia.

Primeira Unidade de Pronto Atendimento inaugurada no Estado do Rio, em 2007, a UPA da Maré foi fechada por tempo indeterminado. A decisão foi da Secretaria de Estado de Saúde, após recomendação do comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio de Brito Duarte. A unidade atendia em média 290 pacientes por dia. O investimento para a abertura de uma UPA é em torno de R$ 1 milhão e o custeio mensal, de R$ 400 mil a 500 mil.

A medida, segundo a PM, foi tomada para preservar moradores e funcionários da unidade, devido a seguidas operações das polícias Civil e Militar, que começaram no dia 19. Em sete dias, 13 pessoas acusadas de tráfico foram presas.

O governador Sérgio Cabral lamentou o fechamento. Segundo ele, se há uma recomendação da segurança, é melhor reabrir depois. "Dói muito o coração porque foi a primeira UPA a ser aberta por mim. Eu lamento, mas chegará o momento em que a Maré estará pacificada e que esse tipo de situação tensa não acontecerá mais", disse. O comandante do 22º BPM (Benfica), coronel Cláudio Oliveira, revelou que grande quantidade de drogas e armas tem sido apreendida.

A violência já tinha afastado alguns moradores da unidade. A dona de casa Rosângela Medeiros, 34 anos, conta que já dormiu na UPA. "Levei minha mãe, com pressão alta, e começou tiroteio. Não pude sair". Domingo, quando o filho sentiu taquicardia, ela foi para a UPA da Penha. "Se ele ouvisse tiro, ia piorar."

Esquema de segurança

Com consultórios de pediatria, ortopedia, clínica médica e odontologia, a UPA da Maré foi inaugurada em maio de 2007 com forte esquema de segurança. Policiais armados ocupavam as vias de acesso à Vila do João e contêineres, enquanto, dentro da UPA, crianças cantavam e comemoravam o lançamento do que chegou a ser chamado de "UPA D¿Or" pelos moradores da região.

Segundo o Estado, a UPA fazia 290 atendimentos diários. "O fechamento da UPA é o reconhecimento da inoperância e ineficiência da administração pública na garantia dos direitos constitucionais", disse o presidente do Sindicato dos Médicos, Jorge Darze.

O vereador Paulo Pinheiro afirma que a falta de segurança nas unidades de saúde localizadas em comunidades é um problema que afasta os profissionais. "A bala não desvia do médico porque ele é médico. Os enfermeiros, técnicos e médicos enfrentam os mesmos problemas dos moradores da região. A rotatividade nestes locais é alta porque o médico enfrenta um tiroteio, uma invasão e acaba desistindo. A população não tem esta opção."

UPP fora dos planos

O comando da PM emitiu nota na segunda-feira explicando que a decisão de fechar a UPA foi tomada devido a informações do setor de Inteligência sobre a existência de bandidos com armamento perto da unidade. Segundo a nota, "as operações têm sido diárias".

Na sexta-feira, por exemplo, em localidade próxima à UPA, nove traficantes foram presos pela polícia, que apreendeu três fuzis, duas metralhadoras, duas pistolas, duas granadas e drogas. A nota ressalta que "as ações não têm nada a ver com a instalação de UPP na área".

Ainda segundo a nota, a Maré terá em breve um Comando de Operações Especiais (COE), no quartel do antigo Batalhão de Infantaria Blindada (BIB). O COE será sede do Bope, do Canil da PM e do Grupamento Aéreo-Marítimo. "Como o atendimento nas UPAs é 24 horas, foi necessário evitar o fluxo de pessoas ao local para que ninguém ficasse sob risco."

O complexo tem 132 mil moradores, segundo a ONG Redes de Desenvolvimento da Maré (Redes). É composto por 15 favelas, divididas entre o domínio da milícia e das facções criminosas Terceiro Comando Puro (TCP) e Comando Vermelho (CV).

Fonte: O Dia
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