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Política

União Brasil suspende funções de Celso Sabino, mas ministro ganha sobrevida ao não ser expulso

Titular do Turismo decidiu permanecer no governo Lula, contrariando determinação do partido; processo no Conselho de Ética da legenda pode durar dois meses

8 out 2025 - 12h31
(atualizado às 15h16)
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BRASÍLIA - Em uma tensa reunião realizada nesta quarta-feira, 8, a Executiva Nacional do União Brasil decidiu suspender o ministro do Turismo, Celso Sabino, de suas funções partidárias e manter o processo disciplinar contra ele no Conselho de Ética da legenda, sem expulsá-lo sumariamente. Sabino também foi destituído da presidência do União Brasil no Pará, que sofrerá intervenção.

A decisão foi tomada porque Sabino resolveu permanecer no governo Lula, contrariando orientação do comando do partido, que deu um ultimato para que todos os filiados deixassem os cargos. O ministro, porém, ganhou uma sobrevida: não será desfiliado agora nem perderá o mandato de deputado federal, do qual está licenciado. O processo de expulsão seguirá o rito normal do Conselho de Ética, que pode demorar até 60 dias para uma conclusão.

"É o Dia do Fico", disse Sabino. "Pelo bem do turismo, dos serviços, pelo bem do povo do Pará, vou permanecer no governo. Fico ao lado do presidente Lula por entender que é a melhor opção para o Brasil", completou.

Celso Sabino permanece como ministro do Turismo do governo Lula
Celso Sabino permanece como ministro do Turismo do governo Lula
Foto: Bruno Spada/Agência Câmara / Estadão

Na sua avaliação, o União Brasil agiu de forma "açodada" ao decidir deixar o governo para apoiar outra candidatura ao Palácio do Planalto, em 2026, que não a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A maior parte do Centrão quer que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seja o desafiante de Lula no ano que vem.

Pré-candidato a uma vaga no Senado pelo Pará, Sabino pretende aproveitar a realização da Conferência do Clima das Nações Unidas (COP-30), em novembro, para obter dividendos eleitorais, ao lado de Lula.

"Nós estamos a 30 dias da realização da COP-30, a maior reunião diplomática que existe no planeta. Eu não vejo como oportuno que a gente tenha uma interrupção no trabalho que vem sendo feito", destacou o ministro do Turismo.

Diante das divergências, a quarta-feira começou com enfrentamentos entre ministros do Centrão e o comando de seus partidos. O titular do Esporte, André Fufuca, também resolveu desobedecer sua sigla, o PP, e continuar à frente da pasta. Como mostrou o Estadão, o ministro foi afastado do comando da legenda.

Caiado chama Sabino de 'quinta-coluna'

O União Brasil e o PP são as duas principais legendas do Centrão e formam a federação União Progressista que, no início do mês, anunciou a saída do governo Lula. Até agora, no entanto, todos os indicados pelas duas siglas continuam nos cargos.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), disse que, se fosse possível, defenderia a expulsão sumária de Sabino. "É imoral querer ser soldado do Lula e do União Brasil", afirmou Caiado, que também pretende disputar a cadeira de Lula. "Celso Sabino é um traidor, quinta-coluna. Está fazendo o jogo do PT dentro do União Brasil e atira nas costas do colegas. É uma pessoa que tem um caráter líquido: ele tomou a forma do frasco do PT", fustigou.

Caiado avaliou que Sabino deveria tomar a iniciativa de se desfiliar para não expor o partido a esse constrangimento. Na reunião desta quarta-feira, a Executiva Nacional aprovou relatório do deputado Fábio Schiochet (União Brasil-SC), que recomendou o afastamento do titular do Turismo, mas não a expulsão sumária, para não dar margem a contestações judiciais.

"Se ele (Sabino) tivesse o mínimo de 'desconfiômetro', depois de tudo o que ouviu na reunião de hoje, teria tido uma postura mais digna", insistiu o governador de Goiás, numa referência às ácidas discussões ocorridas no encontro da Executiva.

Dirigentes do União Brasil relataram que Sabino mostrou os números do governo e, principalmente, de sua pasta - que considera exitosos-, mas foi muito criticado a portas fechadas.

Em nota, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, anunciou que a "suspensão cautelar" de Sabino passará pelo crivo do Conselho de Ética. Rueda observou, ainda, que o diretório estadual do Pará, hoje presidido por Sabino, será conduzido por uma comissão provisória.

"O União Brasil reafirma o compromisso com a transparência das suas decisões e o respeito à vontade dos seus filiados, atuando com responsabilidade para preservar a coerência com os seus princípios e valores", escreveu ele.

Sabino não pretende sair do União Brasil e apresentará sua defesa ao Conselho de Ética nos próximos dias. "Tenho uma legião de amigos no Congresso e no Centrão e vou trabalhar para mostrar que esse projeto do governo Lula é o melhor para o povo", argumentou.

Questionado sobre as críticas de Caiado, o ministro do Turismo evitou nova polêmica. "Quando ele atingir 1,5% de intenção de voto nas pesquisas, eu o respondo", alfinetou Sabino.

Estadão
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