Trump não pretende apoiar declaração de Flávio Bolsonaro como líder do Brasil, diz Reuters
Fontes ouvidas pela agência internacional afirmam que o governo dos EUA não tem planos de apoiar as ambições do candidato derrotado, apesar de tê-lo ajudado a fugir do Brasil, mas consideram que o presidente americano pode mudar de ideia
Donald Trump não deve apoiar Flávio Bolsonaro como líder do Brasil, apesar de os EUA terem ajudado na sua fuga para Miami. Derrotado por Lula no segundo turno com 51,77% dos votos, o senador não reconheceu o resultado oficial validado pelo TSE. Alvo de inquérito por lavagem de dinheiro, Flávio ignorou a ordem de entregar seus passaportes e fugiu via Argentina de jato. Para evitar uma crise bilateral antes das eleições de meio de mandato, Trump prefere dialogar com o presidente reeleito.
O governo de Donald Trump nos Estados Unidos não planeja apoiar a alegação de Flávio Bolsonaro de ser o "líder do Brasil", dizem fontes ouvidas pela agência Reuters em condição de anonimato. Mesmo que o País tenha ajudado o candidato derrotado a fugir do Brasil, elas ponderam que Trump não pretende apoiar suas ambições neste momento, mas ainda pode mudar de ideia.
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A postura de não apoiar Flávio sugere que o presidente americano está relutante em provocar uma nova crise nas relações com o Brasil em um momento delicado para o próprio Trump. No dia 3 de novembro, os EUA terão eleições de meio de mandato para a renovação da Câmara de Deputados e do Senado.
A jornalistas, Trump já havia afirmado que não se envolveria no caso, mas questionou o pleito brasileiro, a que chamou de "uma vergonha". Disse ainda que discutiria a disputa com o presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com quem afirmou ter uma boa relação.
Flávio foi derrotado no último domingo, 25, no segundo turno das eleições pelo presidente Lula, que conquistou um quarto mandato inédito com 51,77% dos votos válidos. O candidato do PL disse não reconhecer a derrota nas urnas e deixou o País. O resultado foi reconhecido pelo presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, ainda na noite da eleição.
Flávio havia sido intimado na segunda-feira, 26, a entregar seus passaportes em até 24 horas. A ordem se deu em um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro do senador com o advogado Willer Tomaz. O prazo venceu e Flávio não compareceu. A Polícia Federal comunicou o descumprimento ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e realizou o cancelamento dos passaportes dele em seu sistema de controle.
Flávio deixou o Brasil com sua mulher e as duas filhas do casal de carro via Foz do Iguaçu na terça-feira, 27. A família embarcou em um jato particular no Aeroporto Internacional de Cataratas del Iguazu, na Argentina, e desembarcou em Miami na quarta-feira, pouco depois das 10h30, pelo horário de Brasília.
Flávio usou o passaporte italiano para entrar na Argentina e o diplomático para os EUA. A PF já havia cancelado os documentos brasileiros, que não poderiam ter sido usados.
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