Tarcísio Motta: "rabo de cavalo, mas sem rabo preso"
O Terra acompanhou um dia do candidato ao governo do Rio que se apresenta como o único de uma nova política no Estado
Para quem se acostumou a ver nas imagens de TV os candidatos ao governo do Rio de Janeiro fazendo campanha com a claque - apoiadores pagos - em peso ostentando bandeiras, carro de som, e um time de assessores “papagaios de pirata” que estão sempre ao lado do político na hora da entrevista gravada, a cena chamou a atenção da reportagem do Terra na manhã de uma quarta-feira.
Em frente ao colégio Pedro II, no bairro do Humaitá, na zona sul da capital fluminense, um postulante ao Palácio Guanabara panfletava aos alunos. Um assessor de imprensa o acompanhava, assim como um candidato a deputado estadual e dois militantes. Só. Nenhum outro veículo de imprensa estava presente, um dia depois de ele se apresentar, novamente, como uma nova via política no segundo debate promovido por uma TV aberta no Rio.
Tarcísio Motta, candidato do Psol de Marcelo Freixo, apoiado por uma ala intelectual do Rio de Janeiro, como Caetano Veloso e Wagner Moura, faz questão de entregar seu programa de governo impresso em mãos. “Não pode jogar fora e sujar a rua”, faz questão de pedir para alunos do colégio onde atuou por anos. O professor de história, resumidamente, se apresenta como aquele que ostenta “um rabo de cavalo, mas sem rabo preso”.
“Nós temos muito orgulho de termos um partido e uma candidatura, que se recusa a receber doações de empresas, exatamente para que depois nós tenhamos autonomia para governar e compromisso com que nos financia, que são os militantes, e as pessoas que acreditam no nosso programa e querem vê-lo implementado”, disse em entrevista ao Terra, que o acompanhou num dia de campanha, momentos depois de um jovem, dentro de um ônibus, pedir o seu panfleto e dizer que “você é o único que se salva”.
“Estou ficando mais conhecido depois dos debates”, garante, mesmo ainda engatinhando nas pesquisas de opinião que o colocam com apenas 3% das intenções de voto, bem atrás dos gigantes Luiz Fernando Pezão (PMDB), Anthony Garotinho (PR), Marcelo Crivella (PRB) e Lindberg Farias (PT). “Os debates têm sido importantes. Em todo e qualquer momento em que temos igualdade de condições temos mostrado que temos alternativa e que temos programa”, diz.
Militante do Psol e doutor em história pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Motta foi diretor e negociador do Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe-RJ) até 2012, um ano antes do mesmo sindicato se ver inserido nas manifestações que tomaram conta do País e também do Rio de Janeiro. O Psol viu de uma certa maneira a sua imagem atrelada aos manifestantes, que numa minoria, promoveram atos de vandalismo na capital fluminense.
“O Psol tem tentando discutir isso, ou seja, relembrar o que foi junho de 2013, trazer o assunto e dialogar com isso para dar força a essas lutas e não se apropriar delas de forma eleitoreira. E sempre, no nosso entendimento, utilizando a intervenção política, e na pressão aos governos, de forma pacífica. Usando a cultura, e a criatividade como forma de pressionar os governos”, afirma ao garantir ainda que o seu partido é o único que tem propostas inovadoras a ponto de realmente trazer uma nova veia política para o Estado.
“O fim da privatização da saúde, o fim da lógica meritocrática na educação, a valorização dos servidores públicos, com salário e plano de carreira, uma política de segurança que garanta direitos e liberdades, a questão da mobilidade urbana, principalmente com a redução tarifária rumo a tarifa zero. São todas pautas centrais”, explica.
“O Rio precisa ter uma alternativa real de mudança concreta de pessoas que não estiveram nos últimos anos nos mandatos, nos governos, que fizeram um momento de desenvolvimento que só garantiu o lucro das grandes empresas e não o direito das pessoas”, complementa o candidato, nome escolhido por Marcelo Freixo, seu amigo pessoal, junto com outros membros do Psol, para ser o candidato ao governo.
Sem decolar nas pesquisas, muito embora acredite que não chegue aos 5% porque “assim a Globo vai ter que me acompanhar todo dia”, ele critica a imprensa que, na sua opinião, não faz uma cobertura igualitária dos candidatos.
“Eu acho que essa ideia que vários veículos de imprensa têm, de que existem candidatos principais, e outros que não são, é ruim para a democracia. Se a legislação permite que nós tenhamos no Rio de Janeiro hoje sete candidatos (além dos já citados, Dayse Oliveira, PSTU, e Ney Nunes, do PCB) era muito importante que nós tivéssemos da imprensa, que são concessões públicas, uma cobertura igualitária de todos os sete candidatos ao governo”, finaliza.
