Tarcísio corta crítica ao PT de propaganda do horário eleitoral
Trecho em que governador diz que São Paulo só é a potência que é porque o 'PT nunca foi governo aqui' foi excluído de peça exibida na última segunda-feira, 31; procurada, campanha de Tarcísio disse que o jornal teve acesso a um material 'não finalizado e que estava em processo de construção'
Por decisão própria, o governador Tarcísio de Freitas retirou de sua propaganda eleitoral uma crítica direta ao PT. A medida reflete uma divergência estratégica interna: enquanto parte da equipe defende um alinhamento antipetista incisivo, outros aliados preferem suavizar o discurso para não afastar eleitores que votam conjuntamente nele e no presidente Lula, fenômeno conhecido como voto "Tarula" e apontado em pesquisas recentes.
A campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos) excluiu de uma das propagandas veiculadas no horário eleitoral gratuito uma fala em que o governador de São Paulo e candidato à reeleição criticava o PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No trecho cortado, Tarcísio dizia que São Paulo só é a potência que é "porque o PT nunca foi governo aqui". Na sequência, emendava: "E a gente não vai deixar isso acontecer". Procurada, a campanha de Tarcísio disse que o "Estadão teve acesso a um material não finalizado e que estava em processo de construção". "A coordenação estratégica da campanha não comenta as definições e caminhos escolhidos para conduzir os trabalhos", diz a nota.
O Estadão teve acesso à versão da peça que incluía a declaração do governador contra o partido de Lula. A propaganda na qual a fala estava originalmente inserida foi ao ar na última segunda-feira, 31, mantendo todo o resto do conteúdo. Veja como era a peça e como ficou no vídeo acima.
A menção ao PT aparecia nos 20 segundos finais da fala do governador, depois de ele falar sobre os avanços de sua gestão no Estado e a importância da primeira-dama, Cristiane Freitas, em sua trajetória. Segundo apurou a reportagem, a decisão de tirar a crítica ao PT foi do próprio governador, que dá a palavra final sobre o conteúdo que vai ao ar no horário eleitoral gratuito.
A forma como a campanha deve lidar com Lula e o PT tem dividido aliados do governador.
O marqueteiro Pablo Nobel defende que Tarcísio se posicione como antipetista, enquanto outros aliados do governador avaliam que a campanha à reeleição deve ser mais abrangente, de modo a dialogar também com eleitores que potencialmente votam em Lula. Para esse grupo, críticas ao PT podem ocorrer, mas não sem contexto.
A avaliação de que Tarcísio não deve apostar no antipetismo como estratégia central de sua campanha está ancorada em pesquisas de intenção de voto, segundo as quais há um voto casado entre o governador e o atual presidente - o que especialistas apelidaram de voto "Tarula".
Na última pesquisa Quaest, divulgada no mês passado, 11% dos eleitores lulistas declaram voto em Tarcísio. Outros 11% que se identificam como "esquerda não lulista" também optam pelo governador em um primeiro turno no qual o ex-ministro Fernando Haddad (PT) aparece como o seu principal adversário.
Haddad, por sua vez, atrai um porcentual numericamente menor de eleitores que se identificam como "direita não bolsonarista" (4%) e como bolsonaristas (2%).
Integrantes da campanha de Lula avaliam que o voto "Tarula" pode crescer a depender do nível de engajamento do governador na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
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