Tarcísio comemora rebaixamento de escola que homenageou Lula no carnaval do Rio
Governador de São Paulo diz que enredo 'atacou a família e os evangélicos' e afirma ter se sentido pessoalmente agredido
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), comemorou nesta quinta-feira, 19, o rebaixamento da escola de samba Acadêmicos de Niterói, que levou para a avenida um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no Grupo Especial do carnaval do Rio.
Carioca, Tarcísio classificou o desfile como "horroroso" e de "péssimo nível e péssimo gosto". Disse ainda que a escola "apostou no divisionismo" e afirmou ter se sentido pessoalmente atingido.
"Já vai tarde. Rebaixamento muito bem-vindo. Estou muito feliz pelo rebaixamento", disse o governador durante entrevista coletiva em Itapecerica da Serra (SP).
Segundo o governador, o enredo atacou "a família" e "os evangélicos" e teria provocado a reação de "pessoas de bem" e de "famílias" que se sentiram agredidas.
A escola estreou na elite do carnaval carioca no domingo, 15, com o enredo 'Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil', que apresentou a trajetória política do presidente.
A Acadêmicos de Niterói terminou o carnaval de 2026 na última colocação do Grupo Especial. A escola enfrentou problemas de dispersão ao fim do desfile na Marquês de Sapucaí e, durante a apuração, recebeu apenas duas notas 10.
Críticas e representações na Justiça
A oposição a Lula já havia criticado na segunda-feira, 16, o desfile da Acadêmicos de Niterói homenageando o petista. O Partido Novo anunciou que acionará novamente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para pedir a inelegibilidade do presidente. A legenda já havia tentado barrar a apresentação.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula na disputa presidencial, também criticou o petista e disse que ele usa dinheiro público "para fazer campanha antecipada para ele mesmo". O pré-candidato na eleição deste ano afirmou que também pretende entrar com uma ação contra Lula no TSE em razão da apresentação.
A Frente Parlamentar Católica e a Frente Parlamentar Evangélica no Congresso criticaram o desfile. As duas bancadas afirmam que o conteúdo exibido desrespeitou a fé cristã e que acionarão o Judiciário e órgãos de controle.
A Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Rio de Janeiro (OAB-RJ) afirmou, em nota divulgada nesta terça-feira, 17, que a escola de samba "cometeu prática de preconceito religioso dirigido aos cristãos".
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, minimizou às críticas ao desfile e classificou como "ridícula" a tentativa de transformar a homenagem a Lula em desgaste político.