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Política

SP: deputados 'são formigas devoradoras', diz camelô

6 out 2011 - 17h52
(atualizado às 22h50)
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Simone Sartori
Direto de São Paulo

As declarações do deputado Roque Barbiere (PTB), que comparou a Assembleia Legislativa de São Paulo a um "camelódromo" porque "cada um tem um preço", repercutiram entre vendedores ambulantes da zona sul da capital paulista. Eles se disseram ofendidos e devolveram a comparação com ironia: "são formigas devoradoras", "eles são cupins", foram algumas das opiniões ouvidas.

Barbiere afirmou que colegas negociam emendas ao Orçamento com prefeitos e empreiteiras e comparou a Casa a um camelódromo, dizendo que "cada um tem um preço". As primeiras denúncias de Roquinho, como é conhecido, foram feitas em agosto ao jornal Folha da Região, de Araçatuba. O governo paulista negou, em nota, ter recebido do petebista qualquer comunicação de irregularidade no uso das emendas. O deputado reafirmou que não dará nomes de colegas que praticam a ação "nem com revólver" na cabeça, pois seu objetivo não é dedurar ninguém, mas fazer com que situação acabe.

Na avenida Di Penedo, no Largo do Socorro, com pelo menos 15 barracas instaladas na calçada, o sorridente camelô Deraldo Gonçalves Santos, 53 anos, vendedor de doces e salgados, preferiu um tom bem humorado para comentar a declaração. "O inseto distraído passa no formigueiro e é o devorado. Lá (a Assembleia) é um formigueiro e eles (os deputados) são formigas devoradoras", disse. Santos, porém, fez questão de ressaltar que "camelódromo é lugar de trabalhador". O camelô disse não lembrar em quem votou para deputado nas últimas eleições e criticou a atuação parlamentar para justificar sua falta de memória. "Na época de eleição, eles vêm aqui e prometem tudo para a gente votar. Depois que eles entram lá, não fazem mais nada", afirmou.

O vendedor de cocada José Rodrigues, 63 anos, há 29 anos como ambulante, disse estar triste com a comparação feita pelo parlamentar e também fez questão de ressaltar que os camelôs são trabalhadores, mesmo que a atividade não seja regularizada. "É ruim fazer esse tipo de comentário. Nós trabalhamos honestamente. Eles deveriam trabalhar com mais decência. Para mim, eles são cupins. Entram nos lugares e destroem tudo", afirmou.

Apesar do bom humor dos colegas, Salomão Gonçalves de Lima, 42 anos, há 18 anos como camelô, era o mais indignado. "Me sinto ofendido. A gente trabalha aqui todos os dias para sobreviver. Se ele (o deputado) acha isso, eu acho que lá mais parece um chiqueiro. Eles tinham que combater a corrupção e ajudar a gente a trabalhar", afirmou.

O desabafo de Salomão ganhou reforço com o discurso de Regina Silva, 49 anos e há 12 na região. "Não tem como não se sentir ofendida. Ele (Barbiere) não deveria fazer esse tipo de comparação, não tem nada a ver. Deputado é deputado, camelô é camelô", disse ela, que não votou para deputado nas últimas eleições. "Adianta? Eles não fazem nada pela gente."

Vendedores ambulantes da zona sul de São Paulo rebatem comparação feita pelo deputado Roque Barbiere (PTB), que comparou a Assembleia Legislativa de São Paulo a um "camelódromo" porque "cada um tem um preço"
Vendedores ambulantes da zona sul de São Paulo rebatem comparação feita pelo deputado Roque Barbiere (PTB), que comparou a Assembleia Legislativa de São Paulo a um "camelódromo" porque "cada um tem um preço"
Foto: Aloisio Mauricio / Terra
Fonte: Terra
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