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Sininho diz não conhecer acusado de atacar Porta dos Fundos

9 jan 2020
12h49
atualizado às 13h08
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Um dos símbolos dos protestos de junho de 2013 nas ruas do Rio de Janeiro, a militante Elisa Quadros, conhecida como "Sininho", de 34 anos, manifestou-se nesta quarta-feira (8) sobre a defesa que fez em 2013 de Eduardo Fauzi Richard Cerquize, então preso sob acusação de vandalismo. Fauzi, de 41 anos, é acusado pela Polícia Civil do Rio de cometer atentado incendiário contra a sede da produtora do grupo humorístico Porta dos Fundos, em 24 de dezembro, e está foragido.

Eduardo Fauzi Richard Cerquise, suspeito de ataque à produtora do programa Porta dos Fundos
Eduardo Fauzi Richard Cerquise, suspeito de ataque à produtora do programa Porta dos Fundos
Foto: Divulgação / Divulgação

Desde que ele foi identificado como autor do ataque, a imprensa destacou esse episódio de 2013. Em um vídeo, Sininho defendeu Fauzi, e dois aliados dela fizeram greve de fome que teria como um dos objetivos a libertação do hoje foragido. Embora procurada pela reportagem na terça-feira, dia 7, "Sininho" ainda não havia se pronunciado até publicar artigo no site da Ponte Jornalismo.

"O tão polêmico vídeo em que eu defendi a liberdade desse sujeito fascista que cometeu o atentado terrorista contra a produtora do Porta dos Fundos - do qual sou muito fã - foi gravado em novembro de 2013, logo após a prisão em massa que levou mais de 200 manifestantes detidos; 78 militantes e ativistas foram mandados para a prisão de Bangu. Em todo o Brasil, ativistas e militantes estavam sendo perseguidos, presos e processados arbitrariamente pelos governos federal (sob comando do PT na época), estaduais e municipais. "Ninguém fica para trás" era a palavra de ordem. Foi assim, neste contexto, que Luiz, meu companheiro de vida, e outro militante tiveram a ideia da greve de fome. Detalhe importante: eu estava como apoiadora", escreveu "Sininho".

"Essa greve de fome foi feita pela liberdade do Rafael Braga e Jair Baiano. O primeiro, um vendedor ambulante pego aleatoriamente pela polícia, na manifestação do dia 20 de julho; o segundo, um militante negro de esquerda: ambos negros e injustamente acusados de crimes que não cometeram para servirem de 'caso exemplar'. O nome de Eduardo Fauzi surgiu dias depois, em um vídeo no qual ele bate na cara do secretário de Obras (na verdade foi o secretário de Ordem Pública, Alex Costa) da gestão do então prefeito Eduardo Paes, grande responsável pela remoção de diversas ocupações de moradia urbana, todas feitas em nome da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Nunca tive nenhum envolvimento com esse cara. Nunca o vi e nem falei com ele em toda a minha vida. Depois desse vídeo, em 2013, só voltei a ouvir esse nome em 2018, quando a Unirio foi atacada", escreveu "Sininho".

Esse ataque foi reivindicado pela Frente Integralista Brasileira, que Fauzi chegou a presidir.

"Se foi um erro ou inocência nossa não termos pesquisado sobre ele? Provavelmente. Mas aquele momento era totalmente diferente. Ainda era uma vergonha se colocar como fascista, e o grupo do qual esse sujeito faz parte hoje em dia, e que assina o ato terrorista, só veio a existir em 2017. Portanto, citamos esse 'ser' pela liberdade dele em 2013, por ser um cidadão qualquer que foi preso desproporcionalmente naquele contexto", continuou a ativista.

"Sobre o atentado covarde ao Porta dos Fundos, presto minha total solidariedade a toda equipe e dizer que repudio veementemente qualquer tipo de ataque, violência ou censura feitos contra esse grupo de artistas. Acho absurdo que esse indivíduo fascista, asqueroso e que assumiu ter feito o atentado terrorista continue impune", completou "Sininho".

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Estadão
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