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Política

Sem saber inglês, Jorge Viana muda estatuto da Apex-Brasil para ficar no cargo e ganhar R$ 65 mil

Primeira crise do governo de Jair Bolsonaro ocorreu justamente porque indicado para a presidência da Apex, assim como Viana, não era fluente em inglês; mudança libera permanência de atual comandante do órgão responsável por divulgar os produtos brasileiros no exterior

14 abr 2023 - 10h11
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BRASÍLIA - O presidente da Agência de Promoção de Exportações do Brasil (Apex-Brasil), ex-senador Jorge Viana (PT-AC), operou uma mudança no estatuto do órgão em benefício próprio ao eliminar a obrigatoriedade de inglês fluente para ocupar o cargo responsável por divulgar os produtos brasileiros no exterior.

Jorge Viana, da Apex, diz na China que Brasil não deve ocultar realidade do desmatamento
Jorge Viana, da Apex, diz na China que Brasil não deve ocultar realidade do desmatamento
Foto: Divulgação / Estadão

Viana foi nomeado em janeiro pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva quando o estatuto da Apex, no seu artigo 23, parágrafo 4º, exigia o inglês como "requisito mínimo" para ocupar a vaga. A mudança no estatuto só foi feita em março. Ou seja, ele ficou três meses de forma irregular no cargo, que lhe garante salário de R$ 65 mil. Cabe à Presidência da República averiguar se os indicados cumprem as exigências para o cargo. Não saber falar inglês já motivou demissão na Apex. Em janeiro de 2019, o governo Jair Bolsonaro teve a sua primeira baixa justamente porque o presidente indicado para a agência, Alecxandro Pinho Carreiro, não era fluente no idioma. Ele ficou apenas oito dias no cargo após a imprensa revelar que se recusara a fazer um teste de nível do idioma.

A assessoria de Jorge Viana admitiu ao Estadão que ele não domina o idioma. "Ele fala inglês, mas não a ponto de fazer um discurso", afirmou. E justificou que a nomeação dele para a presidência "engrandece a agência" por "sua capacidade de diálogo e interlocução" (leia íntegra da nota).

"Preferencialmente"

A mudança na regra foi feita no dia 22 de março pelo conselho deliberativo da Apex, formado por representantes de quatro ministérios e outras cinco entidades, atendendo ao pedido da diretoria-executiva da agência, composta por Viana e outros dois diretores - o ex-deputado Floriano Pesaro (gestão corporativa) e Ana Paula Repezza (negócios). No novo estatuto, a exigência de inglês ficou apenas para a vaga de Repezza, que é funcionária de carreira da Apex. Os postos ocupados pelos dois políticos foram poupados da exigência.

O estatuto exigia um certificado de proficiência ou um certificado de conclusão de curso de inglês, de Nível Avançado. Com a mudança, agora diz apenas que "preferencialmente" o presidente e os diretores "deverão ter fluência ou nível avançado do idioma inglês".

A mudança no regulamento causou desconforto entre os servidores da Apex-Brasil. Internamente, argumentam que a agência atua para divulgar produtos brasileiros no exterior e atrair investimentos estrangeiros, o que torna a exigência indispensável. O presidente da Apex tem uma agenda internacional intensa e tem como missão promover o Brasil no exterior.

O artigo alterado do estatuto social da Apex-Brasil estabelece também como requisitos mínimos para o presidente e os dois diretores terem reputação ilibada, conclusão de curso superior e experiência de pelo menos cinco anos em atividade pública ou privada "diretamente relacionada com a responsabilidade e as atribuições do cargo a ser ocupado". Esses trechos foram mantidos.

Leia íntegra da nota da Apex

"A Apex considera que a gestores como Jorge Viana e Floriano Pesaro engrandecem a agência, até porque estiveram à frente de instituições de governo e na iniciativa privada. Ambos tem atuação política e de gestão e estão contribuindo decisivamente para ampliar a presença do Brasil no ambiente internacional de negócios, exatamente pela sua capacidade de diálogo e interlocução, ainda mais depois de quatro anos de bolsonarismo."

Estadão
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