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'Se eu quisesse ser presidente, teria sido no lugar do Michel'

Rodrigo Maia afirmou que não tem intenção de chegar à Presidência pela via indireta, sugerindo que não descarta disputar eleição

5 out 2019
14h08
atualizado às 18h09
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O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM), disse neste sábado, 5, que, se quisesse ser presidente por vias indiretas, teria sido no lugar do ex-presidente Michel Temer. A fala foi dita no contexto em que Maia negava que era uma espécie de primeiro-ministro do governo do presidente Jair Bolsonaro. O democrata disse ainda que o mandatário não gosta dessa metáfora.

"Se eu quisesse ter sido presidente da República, teria sido no lugar do Michel", afirmou Maia, durante o Festival Piauí de Jornalismo, que acontece neste final de semana. Em seguida, presidente da Câmara afirmou que não tem intenção de chegar à Presidência pela via indireta, sugerindo que não descarta disputar o cargo em uma eleição.

Rodrigo Maia.
Rodrigo Maia.
Foto: Suamy Beydoun / Agif / Estadão

A fala do deputado se refere ao período de crise do governo Michel Temer.

Em 2017, o emedebista - que tinha ascendido da vice-Presidência à Presidência - foi denunciado por corrupção duas vezes pelo então procurador da República, Rodrigo Janot, e quase caiu do cargo. Na ocasião, Maia, que já era presidente da Câmara, era o sucessor, mas não articulou pela queda.

Temer derrotou Janot na Câmara, nas votações que iriam determinar se ele poderia ser investigado durante sua presidência. O emedebista se manteve no cargo até o fim do mandato, quando passou a faixa a Bolsonaro.

"Fui responsável (ao não derrubar Temer). Eu, como principal beneficiário, operar o parlamento para derrubar um presidente da República, não considerei aquilo o melhor dos caminhos para o Brasil e para a estabilidade democrática", afirmou.

"Operar um processo de destituição de um presidente significa negociar o governo", acrescentou. "Não estou disposto a negociar nada. Se fosse necessário assumir, se o parlamento quisesse derrubar o presidente, era decisão dele. Se eu tivesse que ficar presidente por seis meses, eu ia, com liberdade para reconstituir o governo", concluiu.

Maia disse ainda que Tremer fez o contrário. "É óbvio que o Michel operou o processo de impeachment da Dilma (Rousseff) politicamente", constatou.

Maia disse crer que Temer tenha errado já que, em sua avaliação, Dilma teria caído sozinha. Para o deputado, ao organizar o processo e sinalizar espaço a todos os deputados, o emedebista limitou sua capacidade de reformar o País.

Huck e Doria

Durante o painel deste sábado, Maia disse que não faz questão de integrar uma chapa presidencial mas que quer contribuir para a formação de um governo de Centro.

Maia confirmou que esteve, na noite de sexta, em um jantar com Luciano Huck e que o tema da conversa foi política e a formação de uma coalizão de Centro, mas disse que o apresentador só decidirá mais adiante se irá disputar a Presidência.

Em entrevista coletiva após sua fala, o deputado, perguntado se poderia se aliar ao governador paulista João Doria (PSDB), disse que há todas as condições de reeditar a conhecida aliança entre democratas e tucanos, mas que ainda é muito cedo para dizer.

Crítica à nova política

Durante o painel, Maia criticou a chamada "nova política", que se opõe à políticos tradicionais de muitos mandatos, como é o caso do deputado.

O deputado citou o presidente americano Donald Trump e o imbróglio do Brexit no Reino Unido para argumentar que proponentes da nova política implodem modelos antigos de se governar, mas não conseguem formular nada para colocar no lugar, deixando países à deriva.

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Estadão
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