Relator da CPI do INSS tentará nova convocação do filho de Lula
Informações reveladas pelo Estadão de que a PF investiga suposta atuação de Fabio Luís Lula da Silva como "sócio oculto" de Antônio Carlos Camilo, o Careca do INSS
BRASÍLIA - Relator da CPI do INSS, o deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL) quer aproveitar a citação ao nome de um dos filhos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no inquérito que investiga descontos ilegais a aposentados para fazê-lo depor no colegiado. Conforme revelou o Estadão, a Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que investiga se Fábio Luís Lula da Silva, primogênito do petista, é "sócio oculto" do lobista Antônio Carlos Camilo, o "Careca do INSS", principal operador do esquema.
Lulinha, como Fábio Luís é conhecido, já teve sua convocação rejeitada duas vezes devido a articulações bem sucedidas da base do governo para blindá-lo. Agora, a PF suspeita que ele recebeu valores oriundos dos negócios do Careca por meio da empresária Roberta Luchsinger, que foi alvo de busca e apreensão na última fase da Operação Sem Desconto, deflagrada em dezembro.
"O fato é gravíssimo: o filho do presidente da República mantém relacionamento com o maior operador do roubo dos aposentados e pensionistas do Brasil. Era amizade desinteressada? De jeito nenhum. Eram interesses financeiros mútuos. A CPMI tem a obrigação de aprofundar esse laço desavergonhado entre esses personagens e a relação espúria estabelecida entre ambos", diz Gaspar.
Luchsinger firmou um contrato de consultoria com o Careca do INSS para ajudar o Careca na prospecção de negócios com o governo federal e recebeu R$ 1,5 milhão do empresário.
"A fim de dar transparência à investigação para todos os atores da persecução penal, a partir da relação estabelecida entre Antônio Camilo e Roberta Luchsinger, vislumbra-se a possibilidade de vínculo indireto entre Antônio Camilo e terceiro que, em tese, poderia atuar como sócio oculto, por intermédio da mencionada Roberta, que funcionaria como elo entre ambos. Tal pessoa pode ser Fábio Lula da Silva", escreveu a PF.
De acordo com depoimento de Edson Claro, ex-sócio do Careca em uma empresa de cannabis medicinal, haveria pagamentos mensais de R$ 300 mil feitos para a conta de Roberta, mas que teriam Lulinha como beneficiário final.
"O que está em jogo é a corrupção nas entranhas do poder e o dinheiro desviado dos aposentados sendo utilizado para bancar esquemas paralelos, com interesses nefastos sobre a máquina pública", diz o relator.
Edson Claro afirmou à PF ter ouvido do Careca do INSS que Roberta Luchsinger seria responsável por realizar o lobby desse assunto com o Ministério da Saúde e que Fábio Luís também seria sócio do empreendimento. O teor do relato havia sido divulgado em dezembro pelo Poder 360. O Estadão teve acesso aos trechos do depoimento, que fazem parte da investigação.