'Quem tiver metido nisso vai ter que pagar', diz Lula sobre caso do Banco Master
Presidente disse que é preciso ir até às últimas consequências para responsabilizar todos e impedir que situações semelhantes se repitam
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira, 5, que quem tiver envolvimento no caso do Banco Master terá que pagar na Justiça. Segundo Lula, que recebeu Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto no fim de 2024, é preciso ir até às últimas consequências para responsabilizar todos e impedir que situações semelhantes se repitam.
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“Não importa que envolva político, não me importa que envolva partido, não me importa que envolva banco, quem tiver metido nisso vai ter que pagar o preço da irresponsabilidade e do maior rombo econômico da história desse país”, disse Lula em entrevista ao Uol News.
Sobre o encontro com Vorcaro, Lula disse que recebeu o banqueiro da mesma forma que recebe outros donos de bancos e que, ao ouvir de Vorcaro denúncias de perseguição contra a instituição, deixou claro que não haveria interferência política. Segundo o presidente, qualquer apuração deve ser técnica, conduzida pelo Banco Central.
"Ele [Vorcaro] me contou da perseguição que ele estava sofrendo. Que ele estava sofrendo a perseguição. Que tinha gente interessada em derrubar ele. Que não sei das contas e tal. O que eu disse pra ele: 'Não haverá posição política pró ou contra o Banco Master'", relembrou Lula.
O escândalo do Master estourou em setembro de 2025, quando a compra do banco pelo Banco Regional de Brasília (BRB) foi barrada pelo Banco Central (BC), apesar da aprovação prévia do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o órgão anticartel brasileiro, e da Câmara do Distrito Federal.
A decisão do Banco Central adiantou a operação Compliance Zero, da Polícia Federal, deflagrada em 18 de novembro. Segundo o diretor da PF, Andrei Rodrigues, um esquema de fraudes teria movimentado mais de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito com indícios de fraude.
Daniel Vorcaro, dono do Master, foi preso na ocasião por supostos crimes contra o sistema financeiro por meio da comercialização de títulos de crédito irregulares. Segundo a investigação, isso teria ocorrido também na operação de venda do Master ao BRB. Nela, o banco teria adquirido e revendido ativos inexistentes de uma empresa de fachada para simular solidez.
Na mesma data, o BC decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, um dia após um novo grupo, a Fictor Holding Financeira, anunciar que compraria a corretora. A liquidação, na prática, encerra as atividades da instituição e ordena que seus ativos sejam vendidos e os valores devolvidos aos credores.