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Política

Quem são os ministros do Centrão cobrados por Lula e como seus partidos votaram no Congresso

Após reunião ministerial em tom de represália, titulares de pastas correm o risco de perda de cargo ou expulsão do partido

28 ago 2025 - 21h21
(atualizado em 28/8/2025 às 09h04)
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Montagem: da esquerda para direita, os ministros Celso Sabino, André Fufuca e Silvio Costa
Montagem: da esquerda para direita, os ministros Celso Sabino, André Fufuca e Silvio Costa
Foto: Bruno Spada/Agência Câmara e Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Durante a última reunião ministerial do governo Lula, o presidente da República cobrou apoio dos partidos com cadeiras na Esplanada e que, mesmo assim, se apresentam como opositores. O encontro a portas fechadas teve um clima tenso que fez os ministros Celso Sabino (Turismo) e Fufuca (Esportes) procurarem Lula após o fim da fala. 

A cobrança do petista foi dirigida a três siglas em particular: o União Brasil, o Partido Progressistas (PP) e o Republicanos. Lula acusa os líderes das legendas de estimularem seus parlamentares a votar contra as matérias de interesse do Planalto e criticar abertamente o governo, apesar de integrarem a base.  

A primeira insatisfação foi com a federação União Progressista (UPb), criada na terça-feira passada, 19, com a fusão do União Brasil e o Progressista (PP). Na cerimônia, o presidente do União, Antonio Rueda, criticou o petista e falou mal de sua gestão como um todo. Nenhum dos três ministros filiados do partido - Sabino, Frederico Siqueira (Comunicações) e Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) - contrariou o cacique ou saiu em defesa do governo do qual faz parte. 

Lula disse acreditar que não terá o apoio do União em 2026 e que não gosta pessoalmente do presidente do partido. A pressão surtiu efeitos na cúpula nacional do partido, que já cogita entregar os cargos na próxima reunião da Executiva Nacional do partido, marcada para a semana que vem.

Já o Republicanos entrou no baile diante da declaração de Lula sobre a possibilidade do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ser candidato à presidência da República em 2026. Foi a primeira vez que o petista admitiu a possibilidade de concorrer com o carioca. Na sua avaliação, o presidente do PP, Ciro Nogueira, quer ser vice de Tarcísio e, por isso, age para desgastar o governo federal.

Frente ao quadro eleitoral, o petista afirmou que os integrantes do governo filiados à sigla deverão tomar uma decisão caso a candidatura de Tarcísio se confirme. A alfinetada foi dirigida ao ministro de portos e aeroportos, Sílvio Costa Filho. Ainda assim, Lula teria dito que não pedirá o cargo de nenhum ministro em razão de sua filiação, mas que conta com o bom senso de cada um. 

Celso Sabino 

O paraense foi eleito deputado federal e assumiu o Ministério do Turismo em julho de 2023, após intensa negociação entre o partido e o governo Luiz Inácio Lula da Silva. Sua nomeação marcou a tentativa do Planalto de fortalecer a base aliada na Câmara, já que o União Brasil detinha uma das maiores bancadas.

Durante sua gestão, o ministro atuou como articulador político, equilibrando as demandas do governo federal e as divergências internas de seu partido. Ele teve papel ativo em debates sobre a política de aviação civil e no estímulo ao turismo interno, defendendo medidas para ampliar a conectividade aérea e reduzir custos de passagens. Sabino também manteve postura pragmática em relação à política nacional, chegando a defender publicamente a possibilidade de apoio do União Brasil à reeleição de Lula em 2026, o que o colocou em rota de colisão com parte da cúpula da legenda.

O desgaste com seu partido cresceu ao longo de 2025. Agora, o União em federação com o PP ameaça romper com o governo e entregar os ministérios que ocupava. Nesse contexto, Sabino é pressionado a deixar o cargo ou o partido, embora tenha sinalizado preferência por manter a parceria com o Planalto.

Os demais ministros da sigla, Frederico Siqueira e Waldez Góes, não devem sofrer com as mesmas pressões por serem indicações do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Isso porque a demissão de qualquer um dos dois aliados do senador implicaria em uma crise com ele. 

Fufuca

André Fufuca também foi eleito para a Casa Baixa, pelo Maranhão, e assumiu o Ministério do Esporte em setembro de 2023, após uma ampla reforma ministerial articulada pelo presidente Lula para ampliar a base de apoio no Congresso. Sua nomeação, em substituição à Ana Moser, representou a entrada formal do PP no governo. À frente da pasta, Fufuca buscou dar visibilidade ao esporte de base e ao diálogo com federações, além de atuar em projetos ligados à infraestrutura esportiva e à preparação para competições internacionais.

Assim como outros ministros de legendas do centrão, sua permanência no governo foi diretamente condicionada às negociações políticas de sua sigla. 

Silvio Costa Filho

Deputado federal por Pernambuco, foi nomeado ministro de Portos e Aeroportos em setembro de 2023, durante a mesma reforma ministerial que trouxe Fufuca e o apoio do Republicanos no governo. Sua gestão deu destaque a investimentos em modernização de terminais, ampliação da malha aeroportuária regional e incentivo a programas de redução no preço das passagens aéreas.

Diante do avanço de federações partidárias de centro-direita rumo à oposição, o Republicanos manteve sua posição de independência, o que garantiu a continuidade de Costa Filho no primeiro escalão por ora. 

Governismo

A Câmara promoveu 1191 votações desde o começo do governo, em janeiro de 2023. Os deputados do União votaram com o governo em 65% dos casos, enquanto o PP se aliou em 72% e o Republicanos em 79%. Para comparação, partidos ideologicamente próximos do PT, como o PSOL e o PCdoB, têm uma taxa de alinhamento de 82% e 97%, respectivamente. Já as legendas do outro lado do espectro político, como o Novo e o PL, votaram com o governo em 20% e 29%, cada. 

No Senado aconteceram 325 pleitos em plenária no mesmo período de tempo. Os senadores do partido de Rueda foram “governistas” em 76% dos casos, ao passo que a taxa do PP foi de 68% e a do Republicanos, 55%. Na Casa Alta, o PDT se aliou com o governo em 96% dos casos, enquanto a taxa do Novo foi de 49%. Os dados são do Congresso em Foco. 

Fonte: Redação Terra
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