Prejuízo dos Correios dispara no 2º trimestre e soma R$ 4,37 bilhões no semestre
No acumulado do primeiro semestre, o rombo financeiro da estatal já soma R$ 4,37 bilhões, mais que o triplo dos R$ 1,35 bilhão observados no mesmo período de 2024.
O prejuízo dos Correios no segundo trimestre de 2025 chegou a R$ 2,64 bilhões, quase cinco vezes maior que o registrado no mesmo período de 2024, quando o déficit foi de R$ 553,2 milhões. No acumulado do primeiro semestre, o rombo financeiro da estatal já soma R$ 4,37 bilhões, mais que o triplo dos R$ 1,35 bilhão observados no mesmo período de 2024.
Causas e profundidade da crise
A deterioração das contas está associada a queda na receita — que somou R$ 8,185 bilhões no semestre, 11,8% menos que em 2024 e a um significativo aumento das despesas. Um exemplo claro foi o pagamento de precatórios, que atingiu R$ 1,2 bilhão apenas no segundo trimestre, com alta de 800% em relação ao ano anterior. Além disso, os gastos com pessoal cresceram, impulsionados por reajustes e benefícios previstos em acordos coletivos.
Outro fator relevante é a chamada "taxa das blusinhas" — nova alíquota de importação sobre produtos de baixo valor —, apontada pela estatal como causa de perda de receita, especialmente com encomendas internacionais.
Contexto e desdobramentos
A sequência de resultados ruins amplia a pressão sobre a administração e o governo federal. O presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos, chegou a entregar carta de renúncia em julho, embora ainda esteja no cargo aguardando definição do Executivo.
O governo também foi alertado sobre a necessidade potencial de aporte emergencial para evitar um colapso operacional da empresa.
Medidas em curso para conter o prejuízo
Diante da crise, os Correios implementaram um conjunto de medidas para reduzir custos:
- Plano de Desligamento Voluntário (PDV)
- Redução da jornada de trabalho
- Reestruturação administrativa, com fechamento de unidades
- Previsão de economia de até R$ 1,5 bilhão.
Cenário anterior confirmava tendência negativa
Esse agravamento reflete uma trajetória de desequilíbrio financeiro. No primeiro trimestre de 2025, o prejuízo foi de R$ 1,7 bilhão, mais que o dobro do registrado em 2024 Em 2024, o déficit anual foi de R$ 2,6 bilhões — o pior desempenho desde 2016.