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Política

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Polícia monta guarda para evitar novos ataques à ex-candidata no PR

10 out 2012 - 12h12
(atualizado às 12h49)
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Carlos Ohara
Direto de Floresta

A desconfiança de candidatos adversários e da própria coligação, liderada pelo Partido dos Trabalhadores, e a difusão de boatos sobre supostos acertos financeirso ou cessão de cargos no próximo governo, podem ter sido as causas que geraram as cenas de violência generalizada registradas na noite de segunda-feira no município de Floresta, a 446 quilômetros de Curitiba (PR).

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Durante cinco horas, cerca de 1,2 mil pessoas transformaram a rua em frente à casa da candidata petista Silvanir Pereiro Higino Sandrigo em cenário de guerra urbana. De acordo com os boatos espalhados, ela teria trabalhado nos últimos dias para obter votos para o prefeito eleito José Roberto Ruiz (PP), seu adversário na campanha.

Os manifestantes queimaram pneus, bandeiras do PT e dispararam fogos de artifício, pedras e ovos contra o sobrado onde reside a candidata, o marido e a filha. No meio da multidão, conforme o relato de um policial, havia gritos de revoltosos pedindo o linchamento da petista e incentivando o incêndio da casa.

Acuada no interior da residência, Silvanir só foi resgatada do local após a chegada da tropa de chope da PM e de agentes da Polícia Federal. Populares enfrentaram os policiais lançando paus e pedras. Para dispersar a multidão, os soldados fizeram disparos com balas de borracha e lançaram bombas de efeito moral.

As cenas assustaram os 5,9 mil habitantes da cidade. "Nunca pensei que isso poderia ocorrer aqui. A cidade é tranquila e todos se conhecem. O patrulhamento é feito por uma viatura apenas. É inacreditável", disse um dos moradores, que preferiu ser identificado apenas como Roberto.

Na tarde de terça-feira, a justiça deferiu pedido liminar da defesa da candidata e determinou que 12 pessoas presentes nos distúrbios, identificadas através de imagens de televisão, permaneçam a uma distância mínima de 200 metros de Silvanir e de coordenadores de sua campanha.

A maioria das pessoas atingidas pela decisão tem ligação com a coligação do candidato derrotado Junão (PMDB), apontado como um dos incentivadores do protesto. Junão não foi localizado. Ele estaria fora da cidade. O atual prefeito, Antônio Fuentes (PMDB), também teria apoiado a mobilização popular, mas não estava presente na manifestação. Abalada emocionalmente, a candidata petista está em Maringá na casa de familiares, sob efeito de sedativos, de acordo com o relato de uma prima.

Candidatos "desconfiados"

O Terra esteve na tarde de terça-feira em Floresta. Várias viaturas da PM faziam rondas pela cidade e policiais estavam posicionados próximos ao sobrado de Silvanir. Coordenadores da campanha petista disseram que também receberam ameaças. Moradores evitaram comentar o caso.

O prefeito Fuentes disse que pelas informações que recebeu, "o tumulto foi iniciado por candidatos da coligação petista". Ele disse não ter provas contra Silvanir, mas afirmou que "os boatos que correm na cidade é que houve acerto entre ela e o candidato José Roberto Ruiz (PP), que venceu a eleição, ou em troca de dinheiro ou de cargos".

Fuentes afirmou que pesquisas internas de seu grupo político indicavam que Silvanir deveria atingir cerca de 800 votos. "Foi muito estranho ela ter apenas 403 votos. Um acidente", disse ele. De acordo com o prefeito, a candidata petista teria sido vista, dias antes da eleição, na cidade vizinha de Itambé, em companhia de Ruiz. "Depois ouvimos um foguetório no diretório do PT. Tudo isso pode ter contribuído para os boatos. O certo é que ela não é petista e a campanha não ocorreu da forma que os petistas fazem tradicionalmente", falou.

Candidatos a vereador, coligados à chapa encabeçada pelo PT, também disseram estar "desconfiados" em relação ao baixo número de votos nas urnas. "Os coordenadores da campanha não estavam trabalhando muito e a pesquisa que mostraram indicava quase o dobro de votos do que foi registrado. Não tem como falar nada, pois não há prova. Mas, eu não quero mais saber de política", disse o candidato José Delfino Filho (PMN), o Zé Demonho, que obteve apenas 22 votos no domingo.

O prefeito eleito Roberto Ruiz (PP) afirmou por telefone que não foi beneficiado pela campanha de Silvanir. "Desconheço o que motivou aquelas pessoas. Mas posso assegurar que não tenho envolvimento algum com isso." O coordenador da campanha de Silvanir, Júlio Aparecido da Silva, classificou as acusações de "criminosas" e pediu que sejam "provadas na justiça".

Segundo ele, os votos perdidos pela candidata "foram de eleitores comprados pelas outras coligações". Silva admitiu que as pesquisas internas indicavam um melhor rendimento da candidata. O coordenador afirmou que desconhece a presença de Silvanir em um encontro com Ruiz em Itambé. "Mas se ocorreu, foi em um lugar público. Não somos inimigos, somente adversários nas eleições. Nada disso porém justifica o que ocorreu em Floresta", falou.

Terceira colocada

A enfermeira Silvanir, como a candidata é conhecida, recebeu 403 votos, 8,54% dos votos válidos. Ela foi a terceira colocada no pleito, atrás de Junão (PMDB), que conquistou 43,55% dos votos válidos. O prefeito eleito Roberto Ruiz (PP) obteve 2.261 votos, equivalente a 47,91% dos votos válidos.

Silvanir recebeu apoio em sua campanha do deputado Zeca Dirceu (PT),que esteve na cidade participando de atos políticos, e da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffman, que gravou propaganda pedindo votos para a enfermeira.

A manifestação teria sido motivada por boatos que correm na cidade de que houve acerto entre Silvanir e o candidato José Roberto Ruiz (PP), que venceu a eleição, ou em troca de dinheiro ou de cargos
A manifestação teria sido motivada por boatos que correm na cidade de que houve acerto entre Silvanir e o candidato José Roberto Ruiz (PP), que venceu a eleição, ou em troca de dinheiro ou de cargos
Foto: Carlos Ohara / Especial para Terra
Fonte: Especial para Terra
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