PL rifa Esperidião Amin e define Carlos Bolsonaro e Carol de Toni como candidatos ao Senado por SC
Flávio Bolsonaro destacou a participação de Michelle Bolsonaro na definição do palanque no Estado, após atritos com a madrasta
BRASÍLIA E SÃO PAULO - O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, afirmou nesta quarta-feira, 25, que o partido definiu os nomes que vão compor o palanque em Santa Catarina nas eleições de 2026. Segundo ele, o ex-vereador do Rio Carlos Bolsonaro e a deputada federal Caroline de Toni serão os candidatos do PL ao Senado no Estado, enquanto o governador Jorginho Mello disputará a reeleição.
"Formamos o palanque em Santa Catarina. Nossos pré-candidatos são Jorginho Mello à reeleição para o governo, Carol de Toni para uma das vagas ao Senado e Carlos Bolsonaro para a outra vaga ao Senado Federal", disse Flávio, após reunião com as lideranças do partido em Brasília. A formação já era cogitada pela legenda, de acordo com uma anotação feita por Flávio durante uma reunião com dirigentes na terça-feira, a que o Estadão teve acesso.
Com a chapa formada só pelo PL, o senador Esperidião Amin (PP-SC) ficou de fora. Os presidentes do PL, Valdemar Costa Neto, e do PP, Ciro Nogueira, tinham um acordo que passava por uma chapa com dois nomes na disputa - inicialmente esses postulantes seriam De Toni e Amin. Ao perceber que poderia ser rifada, com a entrada de Carlos no páreo, a deputada cogitou sair do PL e recebeu apoio público da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
O encontro desta quarta contou com a presença de Carol de Toni, Carlos Bolsonaro, Jorginho Mello e Valdemar. Flávio destacou a participação de Michelle nas deliberações, após atritos com a madrasta, que se ressentiu por não ter sido consultada sobre a escolha do nome do senador para a disputa à Presidência pelo bolsonarismo.
Ao comentar sobre deputada catarinense, Flávio afirmou que ela foi vista como "peça importante" para o projeto político do grupo, alinhado ao fortalecimento de uma agenda conservadora no Congresso. Segundo ele, a direita tem defendido a formação de um Senado mais conservador, e Carol teria papel central nesse movimento.
Os bolsonaristas não explicaram como fica a relação com Esperidião Amin, que agora está fora da aliança. A decisão rompe o acordo entre PL e a federação União-PP, que garantiria o apoio a um nome de cada um dos partidos.
O acordo era o motivo pelo qual Valdemar defendia uma solução que mantivesse Amin na chapa. Mas a imposição de Carlos, a pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro, e o crescimento de De Toni nas pesquisas dificultaram ao partido abrir mão da dupla.
De Toni ameaçava deixar o partido caso não estivesse espaço para concorrer ao Senado neste ano. Isso porque Carlos se mudou de seu antigo domicílio eleitoral, o Rio de Janeiro, para disputar a mesma vaga por Santa Catarina. Até dias atrás, havia a expectativa de que o partido apoiasse Carlos e Amin para as duas cadeiras do Senado em disputa nessa eleição.
"Eu conversei com o Amin ontem (terça) em plenário. Foi uma decisão que foi tomada aqui, atendendo aos critérios que estão nos orientando. É o que achamos melhor para Santa Catarina", afirmou Flávio.
Também perguntado sobre Amin, Jorginho afirmou que ainda não sabe se Esperidião Amin apoiará o arranjo do PL ou se optará por uma candidatura avulsa ao Senado. Questionado sobre eventual aliança com o PP, respondeu que "tem que perguntar para eles".
Enquanto isso, no Senado, Amin foi questionado pela imprensa sobre a decisão do PL após o anúncio ser feito e foi breve ao responder que recebeu "com muita humildade e respeito" a decisão e que ele "pertence a Santa Catarina", portanto iria lutar pela reeleição, numa indireta direcionada a Carlos.
Já Carol de Toni reforçou que permanecerá no PL e declarou estar "feliz com a chapa" formada em Santa Catarina.
Sobre Carlos Bolsonaro, Flávio destacou a "identificação muito grande" do vereador carioca com Santa Catarina, o que já havia afirmado mais cedo. "Eu sempre gosto de lembrar dessa identificação, inclusive em episódios que demonstram os laços dele com o Estado", afirmou sobre o irmão, que foi vereador no Rio por 24 anos.
Além da articulação eleitoral, Flávio também anunciou a apresentação de uma proposta de emenda à Constituição para extinguir a reeleição para presidente da República.
"Escolhi apresentar uma proposta de emenda à Constituição para confirmar aquilo que eu já havia dito: que o presidente da República deve ter apenas um mandato", disse. "Estou fazendo um gesto público, um projeto de emenda à Constituição pelo fim da reeleição para a Presidência da República."