Partidos têm até quarta para explicar a Dino atuação de dirigentes na distribuição de emendas
Até domingo, 16 agremiações já havia se manifestado sobre o tema e afirmado, em maioria, que os presidentes das siglas não dispõem de cotas próprias de emendas nem possuem atribuição formal para decidir onde os recursos serão alocados
Os partidos políticos que têm representação no Congresso Nacional precisam responder até esta quarta-feira, 19, aos questionamentos feitos pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a possível atuação das direções partidárias na definição e na execução de emendas parlamentares.
Dos 21 partidos que receberam a determinação, pelo menos 16 já haviam encaminhado informações ao Supremo até domingo, 16. Nas manifestações apresentadas até agora, a posição predominante é de que os presidentes das siglas não dispõem de cotas próprias de emendas nem possuem atribuição formal para decidir onde os recursos indicados por parlamentares serão aplicados.
A legislação atribui a deputados e senadores a prerrogativa de apresentar e indicar emendas. É justamente sobre uma possível diferença entre essa competência formal e a atuação efetiva das cúpulas partidárias que Dino pretende obter esclarecimentos.
O ministro determinou que as legendas informem se seus dirigentes têm acesso a reservas, cotas ou instrumentos internos que permitam interferir na distribuição dos recursos. Também deverão esclarecer quem autoriza eventuais indicações, qual seria a base jurídica dessas práticas e de que maneira os procedimentos são registrados e formalizados.
A determinação foi expedida em 15 de julho, quando Dino estabeleceu prazo de dez dias úteis para o envio das respostas. Como os prazos processuais ficaram suspensos durante o recesso do Judiciário, a contagem foi retomada em agosto e termina nesta quarta-feira.
A apuração foi aberta depois de declarações do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. Quando o dirigente afirmou que os presidentes partidários também participariam da indicação de emendas parlamentares. Em julho, o dirigente mudou sua versão e declarou à Suprema Corte que a "expressão coloquial significa apenas sugerir, recomendar ou defender determinada política pública".
A declaração original levou Dino a buscar informações junto às demais siglas com representação no Congresso. O ministro ressaltou que a apresentação e a deliberação das emendas são atribuições dos parlamentares e passou a investigar se, apesar disso, as estruturas partidárias exercem algum tipo de influência sobre a escolha ou a distribuição dos recursos.
Com as respostas dos partidos, o Supremo deverá reunir informações sobre como as legendas organizam internamente a relação entre suas direções e os parlamentares responsáveis pela indicação das emendas.
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