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Política

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Vídeo mostra operação policial contra ladrões no Paraguai, não prisão de traficantes na Colômbia

POSTAGEM TAMBÉM É ENGANOSA AO RELACIONAR ALEGAÇÃO COM SUPOSTO APOIO DO EX-PRESIDENTE DE ESQUERDA GUSTAVO PETRO A FACÇÕES CRIMINOSAS

17 ago 2026 - 10h08
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O que estão compartilhando: vídeo que mostra o novo governo da Colômbia iniciando "caça total às facções" do crime organizado.

Operação realizada contra assaltantes no Paraguai
Operação realizada contra assaltantes no Paraguai
Foto: reprodução / Estadão

O Estadão Verifica investigou e concluiu que: é enganoso. As imagens que ilustram postagens nas redes sociais com essa alegação não têm relação com a Colômbia ou com o narcotráfico. Mostram uma operação policial realizada no Paraguai, no dia 9 de agosto, para prender uma quadrilha responsável por roubo de telefones celulares. A legenda do vídeo diz que o ex-presidente colombiano Gustavo Petro foi acusado de conivência com facções criminosas, sem contextualizar que não há investigação formal ou processo judicial sobre isso.

Saiba mais: o vídeo analisado pelo Verifica mostra um grupo de policiais invadindo uma residência, avançando pelo terreno, rendendo suspeitos e efetuando a prisão de um deles. A legenda relaciona o episódio a uma ação contra facções criminosas promovida pelo novo presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, alinhado à direita, que assumiu o poder no sábado, 8.

O texto que acompanha a postagem contribui para a desinformação citando o que de fato a cena mostra, porém omitindo sua localização e contexto: "A ofensiva contra o crime organizado ganha força, com operações policiais voltadas à prisão de criminosos, apreensão de bens e desarticulação de estruturas utilizadas por grupos criminosos. Em uma ação recente, a Polícia Nacional e o Ministério Público ingressaram em uma residência no bairro San Rafael, em Presidente Franco. O imóvel pertencia ao falecido Juan Carlos Portillo, conhecido pelo apelido de Carlos Pedro Juan".

A busca por esta descrição e por alguns elementos visuais presentes no vídeo, como bandeira e escudo presentes nos uniformes dos policiais, levou à informação correta. Trata-se de uma operação realizada no domingo, 9, em Presidente Franco, no Paraguai, município vizinho a Ciudad del Este, próximo da fronteira com o Brasil.

O alvo da operação foi uma quadrilha que havia roubado, na sexta-feira anterior, uma carga de iPhones recém-adquirida por um brasileiro em Ciudad del Este. Segundo o portal de notícias paraguaio ABC, cinco pessoas foram presas, entre elas David Portillo Carballo, proprietário do imóvel, filho do falecido narcotraficante Juan Carlos Portillo, também conhecido como Carlos Pedro Juan.

O mesmo vídeo reproduzido na postagem foi veiculado por outro portal que acompanhou o caso, A Hora CDE, que apresentou imagens do final da operação. O Canal C9N Paraguay também fez a cobertura do episódio.

Gustavo Petro é alvo de investigação nos EUA, mas não foi oficialmente acusado por nenhum crime

Não foram encontradas informações oficiais que relacionem Gustavo Petro a facções criminosas. Trata-se de uma acusação política antiga e sem comprovação que ganhou força com as manifestações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre o suposto envolvimento de governos de esquerda da América Latina com o narcotráfico internacional. O tema gera tensões diplomáticas e já envolveu uma operação militar para capturar, em janeiro, o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro.

Em outubro de 2025, os EUA anunciaram sanções financeiras contra Petro, afirmando que o primeiro presidente colombiano eleito pela esquerda não combatia o narcotráfico. Foi noticiado em março de 2026 que promotores federais em Nova York investigavam o presidente por supostas ligações com traficantes de drogas. Mas nenhuma acusação criminal foi formalizada até o momento.

Petro refuta essas acusações. Ao comentar que havia se tornado alvo da Administração de Combate às Drogas dos EUA (DEA), disse: "Nunca falei com um narcotraficante em toda a minha vida". Ele reiterou que correu risco de vida ao denunciar os vínculos entre narcotraficantes e políticos de diferentes esferas do poder, que criaram no país o que chamou de "governança paramilitar".

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Estadão
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